A crise do Saúde Servidor continua afetando milhares de servidores públicos municipais em Juiz de Fora. O plano acumula dívidas que ultrapassam R$ 20 milhões, enquanto beneficiários relatam dificuldades crescentes para conseguir consultas, exames e atendimentos médicos.
Mesmo assim, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para investigar a situação ainda não avançou na Câmara Municipal de Juiz de Fora.
Até o momento, apenas seis vereadores assinaram o pedido: Sargento Mello Casal (PL), autor da proposta, além de Roberta Lopes (PL), André Mariano (PL), Negro Bússola (PV), Vitinho (PV) e Maurício Delgado (Rede).
Outros 17 parlamentares ainda não aderiram ao requerimento.
Plano segue descontando salários, mas atendimento diminui
A crise do Saúde Servidor vem sendo alvo de reclamações constantes de servidores municipais. Apesar dos descontos continuarem sendo feitos nos contracheques, há relatos de suspensão de atendimentos, descredenciamento de médicos, laboratórios e dificuldades para marcação de consultas.
Ao mesmo tempo, a situação financeira detalhada do plano não vem sendo amplamente divulgada publicamente, o que aumentou a pressão por abertura de uma investigação parlamentar.
Bastidores da Câmara travam avanço da CPI
Nos bastidores políticos, vereadores ouvidos reservadamente pelo Folha JF apontam dois fatores principais que dificultam o avanço da CPI.
O primeiro envolve a relação política entre parlamentares e a Prefeitura de Juiz de Fora. Muitos vereadores mantêm indicações políticas e cargos ligados à administração municipal. A avaliação de integrantes da Câmara é que uma assinatura na CPI poderia desgastar essa relação com o Executivo.
O segundo fator envolve a sucessão da presidência da Câmara Municipal em 2027.
O atual presidente, Zé Márcio Garotinho (PDT), não poderá disputar nova reeleição para o cargo. Com isso, diversos vereadores já começaram articulações internas para tentar assumir o comando do Legislativo no próximo biênio.
Nos corredores da Câmara, a leitura é que o apoio do governo municipal será decisivo nessa disputa interna.
Votação do reajuste ampliou pressão sobre vereadores
A situação ganhou ainda mais repercussão após a votação da campanha salarial dos servidores municipais.
Na ocasião, diversos vereadores defenderam publicamente medidas favoráveis ao funcionalismo, incluindo a derrubada de vetos da prefeita Margarida Salomão.
Nos bastidores, porém, parte dos servidores passou a questionar por que parlamentares que defendem os trabalhadores publicamente ainda não assinaram a CPI do Saúde Servidor.
Espaço segue aberto para manifestação dos vereadores
Como a maioria dos parlamentares ainda não assinou o pedido de investigação, o espaço segue aberto para que vereadores se posicionem publicamente sobre a proposta de CPI, seja favoravelmente ou contrariamente.