Há 65 anos, Juiz de Fora dava um passo definitivo para se consolidar como um dos principais polos educacionais do país. Em 1960, por decreto do então presidente Juscelino Kubitschek, era criada a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) — resultado de um processo histórico que vinha sendo construído desde o início do século XX.
Antes mesmo de se tornar universidade, Juiz de Fora já ocupava posição de destaque no ensino superior mineiro e brasileiro. A cidade contava com cinco faculdades isoladas: Direito, Farmácia e Odontologia, Engenharia, Medicina e Economia. Esse conjunto fez com que Juiz de Fora recebesse o apelido de “Atenas Mineira”, em referência à força intelectual e acadêmica que concentrava.
A promessa de JK e a federalização das faculdades
A ideia de criar uma universidade pública em Juiz de Fora ganhou força em 1954, quando Juscelino Kubitschek, então governador de Minas Gerais, declarou pela primeira vez a intenção de federalizar as faculdades existentes na cidade.
O compromisso foi reforçado em 1958, durante a colação de grau da primeira turma da Faculdade de Medicina. Na ocasião, JK participou da cerimônia como paraninfo e foi publicamente cobrado pelo orador José Carlos Barbosa sobre as reais chances de a federalização sair do papel.
Em resposta, JK afirmou, em discurso, que criaria a Universidade Federal de Juiz de Fora ainda durante seu mandato presidencial. A promessa foi cumprida. Com o decreto, as faculdades foram federalizadas e passaram a integrar oficialmente a nova universidade.
UFJF nasce sem campus unificado
Apesar da criação formal da UFJF, as faculdades continuaram funcionando em prédios separados, espalhados pela cidade. A consolidação física da universidade só ocorreria anos depois.
O campus da UFJF foi inaugurado em 1969, durante o reitorado de Gilson Salomão — pai da ex-reitora e atual prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão. A inauguração marcou uma nova fase da instituição, com a concentração gradual dos cursos em uma área única.
Projeto arquitetônico inspirado em Ouro Preto
O projeto do campus foi desenvolvido pelo arquiteto Arthur Arcuri, que se inspirou no modelo topográfico de Ouro Preto, respeitando o relevo natural da região. A proposta resultou em um campus integrado à paisagem, característica que se mantém como uma das marcas da UFJF.
A partir da década de 1970, os cursos foram sendo progressivamente transferidos e instalados no campus, consolidando a universidade como referência regional e nacional.
Pioneirismo e legado
A UFJF foi a segunda universidade federal criada no interior do Brasil, ficando atrás apenas da Universidade Federal de Santa Maria (RS). Ao longo de sua história, a instituição formou mais de 70 mil alunos, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento econômico, científico, cultural e social de Juiz de Fora, da Zona da Mata e de Minas Gerais.
Hoje, a UFJF é reconhecida como uma das principais universidades do estado e do país, com destaque em ensino, pesquisa, extensão e inovação — e segue como um dos pilares centrais da identidade juiz-forana.