Uma mudança prevista para 2027 em duas escolas municipais de Juiz de Fora tem provocado preocupação entre profissionais da educação e famílias. A Escola Municipal Theodoro Frederico Mussel, no bairro Nossa Senhora das Graças, deixará de atender a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental. Os estudantes dessas etapas serão direcionados para a Escola Municipal Vereador Marcos Freesz, no Eldorado.
No sentido contrário, a Marcos Freesz deixará de atender os anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano. Esses estudantes passarão a ser atendidos pela Theodoro Frederico Mussel.
Professores efetivos da Theodoro Frederico Mussel divulgaram uma carta aberta contra a forma como a reorganização está sendo conduzida e iniciaram um abaixo-assinado pela manutenção da Educação Infantil e dos anos iniciais na unidade. Segundo eles, a decisão foi comunicada sem consulta prévia ou participação efetiva da comunidade escolar.
A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por sua vez, afirma que a reorganização foi planejada “com base em estudos pedagógicos, estruturais e dados de matrícula” e diz que já realiza reuniões com as comunidades escolares.
Como ficará o atendimento nas duas escolas
Pela reorganização prevista para o próximo ano, haverá uma espécie de divisão das etapas de ensino entre as duas unidades.
A Escola Municipal Vereador Marcos Freesz passará a receber os alunos da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, do 1º ao 5º ano, atualmente atendidos pela Theodoro Frederico Mussel.
Já a Theodoro Frederico Mussel passará a atender os anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, incluindo os estudantes dessa faixa atualmente matriculados na Marcos Freesz.
Segundo a carta aberta, a informação foi recebida pela direção da Theodoro Frederico Mussel após uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação. O documento afirma ainda que, além das turmas e dos estudantes, os profissionais que atuam nos segmentos transferidos também seriam deslocados para a outra unidade.
Professores dizem que comunidade não foi consultada
A principal crítica apresentada pelos professores não está apenas na reorganização, mas na maneira como, segundo eles, a decisão foi tomada.
“Trata-se de uma decisão de grande impacto para toda a comunidade escolar, tomada sem consulta prévia, sem discussão pública e sem a participação efetiva das famílias, estudantes, profissionais da educação e demais envolvidos.”
Os profissionais argumentam que a Theodoro Frederico Mussel possui uma trajetória construída ao longo de décadas e que a mudança alterará a identidade e a organização pedagógica da escola.
Entre os possíveis impactos apontados estão o rompimento de vínculos entre estudantes, famílias e profissionais, a adaptação das crianças menores a uma nova escola, dificuldades de deslocamento para as famílias e insegurança para a comunidade escolar.
As duas unidades ficam relativamente próximas, em bairros vizinhos, mas os professores sustentam que a distância física não elimina os efeitos da transferência sobre a rotina das famílias e os vínculos construídos pelos estudantes.
Ensino em tempo integral é citado em carta
Outro ponto levantado pelos professores é a possível relação da reorganização com a ampliação do ensino em tempo integral para a Educação Infantil e os anos iniciais.
Na carta, os profissionais defendem que, caso essa seja a justificativa da Secretaria de Educação, a implantação do tempo integral também deveria ser discutida com a comunidade.
Os professores afirmam que a Theodoro Frederico Mussel possui estrutura física, experiência pedagógica e profissionais capazes de receber a modalidade.
“A Escola Municipal Theodoro Frederico Mussel possui profissionais comprometidos, estrutura física e experiência pedagógica que podem permitir a implementação do ensino integral na própria instituição, preservando os vínculos já estabelecidos entre estudantes, famílias e escola.”
Abaixo-assinado pede revisão da mudança
Diante da reorganização, os professores iniciaram um abaixo-assinado pela manutenção da Educação Infantil e dos anos iniciais na Escola Municipal Theodoro Frederico Mussel.
No documento, eles afirmam não serem contrários a mudanças na rede municipal, mas defendem que alterações com impacto direto sobre estudantes e famílias sejam precedidas de estudos apresentados publicamente e de participação da comunidade escolar.
“Não somos contrários ao aprimoramento da educação pública. Pelo contrário: acreditamos que mudanças podem ser positivas quando planejadas de forma democrática, respeitosa e participativa.”
Ao final, os profissionais convocam famílias, estudantes, ex-alunos e demais integrantes da comunidade a participarem da mobilização.
Prefeitura diz que mudança considera estudos pedagógicos e estruturais
Procurada pelo Folha JF, a Secretaria de Educação confirmou que prevê para 2027 a reorganização do atendimento nas duas escolas.
Segundo a PJF, a decisão leva em consideração “estudos pedagógicos, estruturais e dados de matrícula”.
A Prefeitura também afirma que o processo de diálogo com as comunidades escolares já está em andamento, contrapondo-se à reclamação dos professores de falta de participação na construção da mudança.
“A Secretaria já realiza reuniões com as comunidades escolares e manterá o diálogo nos próximos meses para apresentar os estudos e construir a transição de forma transparente, conjunta e respeitosa.”
Na manifestação encaminhada ao Folha JF, a Secretaria de Educação não detalhou os resultados dos estudos pedagógicos e estruturais nem os dados de matrícula utilizados para embasar a reorganização. Também não especificou, na nota, como serão feitas as transferências dos estudantes e profissionais entre as duas unidades em 2027.