A sequência de agressões contra profissionais da rede pública de saúde provocou uma manifestação em frente à Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) na manhã desta quinta-feira (21). O ato reuniu servidores, representantes sindicais e trabalhadores de diferentes unidades do município, que pediram medidas de segurança mais rígidas após dois episódios de violência registrados em menos de dois dias dentro de espaços de atendimento da cidade.
O protesto aconteceu um dia após um médico ser agredido durante atendimento na UBS São Benedito e poucas horas depois da denúncia de um novo ataque contra uma técnica de enfermagem no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Com cartazes e palavras de ordem, os participantes cobraram ações efetivas para proteger os profissionais que atuam diretamente no atendimento à população.
A mobilização também refletiu um cenário de preocupação crescente entre servidores da saúde municipal, que relatam sensação constante de insegurança dentro das unidades. Segundo os trabalhadores, episódios de ameaças, agressões verbais e ataques físicos têm se tornado frequentes nos serviços públicos de saúde da cidade.
Na UBS São Benedito, os atendimentos médicos e de enfermagem permaneceram suspensos nesta quinta-feira como forma de manifestação da equipe após o caso registrado na quarta-feira (20). A unidade, no entanto, manteve parte do funcionamento administrativo.
Médico foi agredido após confusão em UBS
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Juiz de Fora, a agressão ao médico ocorreu depois que um paciente tentou desrespeitar a ordem de atendimento na unidade do bairro São Benedito.
Ainda conforme o Executivo, o homem passou a ameaçar servidores e, durante a tentativa de controle da situação, o profissional acabou sendo atingido com socos na cabeça. A Polícia Militar foi acionada e encaminhou o suspeito para a delegacia, onde foi registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). De acordo com a Prefeitura, o homem já possuía passagens policiais anteriores.
O episódio gerou forte repercussão entre trabalhadores da saúde e reacendeu discussões sobre a falta de mecanismos de proteção dentro das unidades municipais. Em nota divulgada após a ocorrência, a administração municipal afirmou que casos de violência contra servidores são considerados intoleráveis.
Novo caso no HPS aumentou tensão entre servidores
Enquanto profissionais ainda reagiam ao caso da UBS São Benedito, uma nova denúncia de agressão foi registrada nesta quinta-feira no Hospital de Pronto Socorro.
Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JF), uma técnica de enfermagem teria sido atacada por uma acompanhante enquanto realizava medicação em um paciente no terceiro andar da unidade. A entidade informou que a servidora ficou com marcas pelo corpo e emocionalmente abalada após a situação.
Representantes do sindicato estiveram no hospital prestando apoio à profissional e cobrando providências da administração pública.
Os novos episódios ampliaram a pressão por mudanças nas condições de segurança oferecidas aos trabalhadores da saúde em Juiz de Fora. Entre as reivindicações apresentadas durante o protesto estão reforço da vigilância nas unidades, criação de protocolos para situações de risco e medidas preventivas para evitar novas agressões contra servidores da rede municipal.
Comissão deve discutir medidas de segurança nas unidades
Ainda de acordo com o sindicato, a presidenta da entidade, Deise Medeiros, participou de uma reunião realizada nesta quinta-feira com representantes da Prefeitura para discutir medidas relacionadas à segurança dos servidores municipais da saúde.
Como encaminhamento do encontro, ficou definida a criação de uma comissão formada por representantes sindicais e integrantes das cinco regiões da cidade para discutir propostas e acompanhar medidas voltadas à proteção dos trabalhadores nas unidades de atendimento.
Uma nova reunião entre sindicato e administração municipal já foi agendada para a próxima quinta-feira (28), às 9h, quando deverão ser debatidas medidas práticas para tentar reduzir os casos de violência registrados nos serviços públicos de saúde.
O Sinserpu-JF informou ainda que continuará acompanhando os casos, oferecendo apoio jurídico e psicológico às vítimas e cobrando providências do poder público diante das agressões registradas nos últimos dias.