A tradição cervejeira de Juiz de Fora vai além da produção de chope artesanal. Dois dos principais eventos do setor, a Praça Cervejeira e a Festa da Cerveja, movimentam juntos mais de R$ 2 milhões por ano na economia local, segundo dados da Associação de Cervejarias da Zona da Mata Mineira (Unicerva ZM). As iniciativas também geram oportunidades de trabalho, incentivam o comércio e ampliam as opções de lazer gratuito na cidade.
Somente a Praça Cervejeira movimenta aproximadamente R$ 1 milhão por ano. O projeto reúne 14 cervejarias que se revezam na ocupação de espaços públicos, oferecendo diferentes estilos de chope artesanal e programação cultural. No último ano, a iniciativa registrou 65 mil clientes atendidos, 32 mil litros de chope vendidos, 35 postos de trabalho gerados e 80 apresentações culturais realizadas, com atividades em 13 espaços públicos.
Praça Cervejeira movimenta comércio e valoriza espaços públicos
Criada em 2023, por meio do Decreto Municipal nº 15.914, a Praça Cervejeira é apontada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico como uma iniciativa pioneira no Brasil.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Juiz de Fora, Ignácio Delgado, a proposta vai além da comercialização de bebidas. A presença das cervejarias favorece a instalação de food trucks, estimula outros negócios e aumenta a circulação de pessoas nos locais contemplados.
“A iniciativa também reforça a identidade de Juiz de Fora como um município com tradição na produção cervejeira e potencial para desenvolver experiências turísticas relacionadas ao setor”, destacou o secretário.
O funcionamento ocorre por meio de rodízio entre cervejarias associadas à Unicerva ZM, permitindo que diferentes produtores participem do projeto e apresentem seus produtos ao público.
Festa da Cerveja gera mais de 300 oportunidades de trabalho
Outro destaque do calendário é a Festa da Cerveja, realizada anualmente no estacionamento do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Segundo dados da Unicerva, durante quatro dias, o evento registra uma movimentação econômica superior a R$ 1 milhão, considerando as operações realizadas no festival e negócios externos associados à sua realização.
A última edição contabilizou 22 mil litros de cerveja vendidos, mais de 300 postos de trabalho diretos e indiretos e público estimado em mais de 20 mil pessoas. O evento tem entrada gratuita e envolve uma cadeia produtiva que inclui montagem de estruturas, fornecedores, artistas, transporte, alimentação, serviços operacionais e profissionais da economia criativa.
Para Danilo Albuquerque, da Cervejaria Hankzbier, os eventos contribuem tanto para o fortalecimento das marcas locais quanto para a geração de oportunidades em outras atividades econômicas.
“Todo esse movimento que ocorre no entorno da cerveja artesanal de Juiz de Fora gera muita economia, crescimento, gera oportunidades, gera entretenimento, muita gastronomia”, disse Danilo.
Tradição cervejeira de Juiz de Fora começou no século XIX
A relação de Juiz de Fora com a produção de cerveja remonta à imigração alemã no século XIX. Em 1861, o imigrante Sebastian Kunz fundou a Cervejaria Barbante, considerada a primeira cervejaria de Minas Gerais. Essa tradição ajudou a construir uma identidade que permanece presente na economia e na cultura local.
Atualmente, Juiz de Fora conta com mais de dez cervejarias artesanais. Entre elas está a Hofbauer, produzida nas dependências da Igreja da Glória, uma experiência que associa a fabricação da bebida à história religiosa e cultural da cidade. Desde 2017, o setor cervejeiro também é reconhecido pelo Governo de Minas Gerais como um Arranjo Produtivo Local (APL), destacando sua relevância econômica para a região.
Turismo cervejeiro pode ampliar oportunidades para a região
O próximo passo para o fortalecimento do setor é a criação do Tour Cervejeiro, uma rota turística que pretende conectar cervejarias de Juiz de Fora e Petrópolis, no Rio de Janeiro, com apoio do Sebrae.
A proposta busca transformar a tradição cervejeira em um atrativo turístico, incentivando visitas aos produtores e ampliando as oportunidades para hotéis, restaurantes, transportadoras e outros estabelecimentos.
Com eventos gratuitos, produção artesanal consolidada e projetos de expansão turística, o setor cervejeiro busca ampliar sua participação na economia de Juiz de Fora. Os números apresentados pela Unicerva ZM indicam que, além das vendas de bebidas, os eventos já representam uma fonte de movimentação econômica e geração de trabalho para diferentes segmentos da cidade.
“Juiz de Fora vive um momento pulsante com as suas cervejarias”, finalizou Danilo.