Uma mudança na forma de cobrança da Uber tem gerado reclamações entre motoristas parceiros de Juiz de Fora. Desde a semana passada, a plataforma passou a oferecer o chamado “Passe para Motoristas“, um novo modelo que substitui a cobrança tradicional de taxas diretamente sobre cada corrida por uma espécie de assinatura pré-paga.
A alteração foi implementada em 12 cidades brasileiras e tem provocado debates entre os condutores, principalmente aqueles que utilizam o aplicativo como fonte complementar de renda.
Pelo novo sistema, a Uber deixa de descontar automaticamente uma porcentagem de cada viagem realizada. Em contrapartida, o motorista precisa aderir a um dos passes disponíveis para continuar operando na plataforma.
Como funciona o novo modelo
Em Juiz de Fora, a Uber disponibiliza quatro opções de passe, divididas entre modalidades por tempo de uso e por ganhos obtidos.
Nos planos por tempo, o motorista pode contratar um passe de 24 horas por R$ 64 ou um passe de 72 horas por R$ 95.
A principal crítica dos condutores é que o período contratado não corresponde ao tempo efetivo em que podem trabalhar. Como a própria Uber limita a jornada a 12 horas diárias por questões de segurança, o passe de 24 horas pode ser utilizado por apenas metade desse período. Já o passe de 72 horas permite, na prática, até 36 horas de direção.
Outro ponto questionado é que, após atingir o valor equivalente ao passe em taxas, a Uber volta a aplicar descontos sobre as corridas, que, segundo os motoristas, podem chegar a cerca de 30% do valor das viagens.
Também existem planos baseados nos ganhos obtidos pelo motorista, com valores de R$ 95 e R$ 300, válidos por até seis meses.
Motoristas relatam insatisfação
A mudança gerou insatisfação principalmente entre motoristas que utilizam a plataforma apenas como complemento de renda.
Segundo relatos recebidos pela reportagem, alguns condutores afirmam que correm o risco de pagar pelo passe sem conseguir realizar corridas suficientes para compensar o investimento.
Outra reclamação envolve o processo de adesão. De acordo com motoristas ouvidos, quem não escolhe um plano previamente pode ter o passe de 24 horas ativado automaticamente após a primeira corrida realizada, gerando a cobrança imediata dos R$ 64.
A situação tem levado parte dos profissionais a migrar para plataformas concorrentes.
Comparação com outras cidades
Motoristas também chamam atenção para a diferença dos valores praticados em outras cidades que receberam o novo sistema.
Em Petrópolis, por exemplo, o passe de 24 horas custa R$ 35, valor significativamente inferior ao praticado em Juiz de Fora. O plano mais caro disponível na cidade fluminense custa R$ 235.
Os condutores questionam os critérios utilizados pela empresa para definir os preços em cada mercado.
Preocupação com redução das tarifas
Além da cobrança dos passes, alguns motoristas demonstram preocupação com possíveis impactos sobre o valor das corridas.
Entre os argumentos apresentados está a possibilidade de a Uber reduzir os preços cobrados dos passageiros para ampliar sua competitividade frente a outros aplicativos, o que poderia obrigar os motoristas a realizar mais viagens para alcançar a mesma renda obtida anteriormente.
A remuneração das corridas já é alvo frequente de críticas. Segundo os profissionais, há solicitações de viagens que chegam a pagar cerca de R$ 1 por quilômetro rodado, tendo como tarifa mínima aproximadamente R$ 4,50.
O que diz a Uber
Em nota, a Uber informou que comunicou a mudança aos motoristas parceiros das cidades participantes no dia 25 de maio.
Segundo a empresa, os valores dos passes variam de acordo com as características de cada mercado local e os preços das viagens continuam sendo definidos de forma variável.
A plataforma afirma ainda que enviou informações por e-mail e pela caixa de entrada do aplicativo, além de disponibilizar todos os detalhes na aba “Passe para Motoristas“, dentro do aplicativo Uber Driver.
Questionada sobre os valores praticados nas corridas em Juiz de Fora, a empresa não se manifestou.
O caso segue gerando repercussão entre os motoristas da cidade e deve continuar sendo acompanhado pelas entidades representativas da categoria.