A Copa do Mundo de 2026 deve movimentar cerca de R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, o que representa uma alta real de 6,5% em relação ao Mundial de 2022, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O principal motor desse crescimento está no consumo imediato. Alimentos e bebidas devem concentrar quase 70% das vendas, somando R$ 3,97 bilhões. Na sequência, aparecem vestuário e acessórios, com previsão de R$ 803,7 milhões.
Esse cenário ajuda a explicar por que diferentes setores, tanto de alimentos e bebidas à moda e marketplaces, vêm antecipando campanhas e reforçando investimentos ligados ao torneio. Mais do que presença publicitária, a disputa passa por execução no varejo: abastecimento, logística, promoções, embalagens temáticas, experiência no ponto de venda e capacidade de capturar o consumo tanto dentro de casa quanto em bares, restaurantes e canais digitais.
Consumo orientado por ocasião impulsiona estratégias na Copa do Mundo
A JBS, dona de marcas como Friboi, Seara e Swift, aposta na diversificação do portfólio para capturar diferentes momentos de consumo durante os jogos da Copa do Mundo. A estratégia vai do churrasco tradicional a opções de preparo rápido e aperitivos.
A marca Maturatta Friboi reforça sua presença no segmento de carne bovina com campanha estrelada por Ronaldinho Gaúcho. Já a Seara direciona esforços para o chamado “primeiro tempo do churrasco”, ampliando sua atuação em categorias como linguiças, mini-hambúrgueres e acompanhamentos.
Dados da Kantar Worldpanel indicam que as ocasiões de churrasco cresceram 22% em 2025, enquanto pesquisas da própria companhia mostram que 86% dos brasileiros associam futebol ao churrasco. A expectativa é de crescimento de até 40% nas vendas em relação à Copa anterior.
Na mesma linha, a Sadia projeta um aumento de até 50% nas vendas durante o torneio. A estratégia envolve reforço no abastecimento de aproximadamente 340 mil pontos de venda, apoiado por uma estrutura com mais de 26 fábricas e operação logística dedicada.
A marca também ampliou seu portfólio e lançou produtos com identidade visual voltada à Seleção Brasileira. Categorias como embutidos, snacks, churrasco e alimentos prontos devem ser diretamente impactadas, especialmente em dias de jogos, quando algumas linhas podem registrar alta de até 24% nas vendas.
Experiência no ponto de venda e engajamento ganham protagonismo
A Coca-Cola FEMSA aposta na Copa do Mundo como uma plataforma de engajamento, com foco em execução no ponto de venda. A estratégia inclui embalagens temáticas com figurinhas da Panini e edições especiais, buscando estimular o consumo por meio de colecionáveis.
A proposta é aumentar fluxo e conversão nas gôndolas em um dos períodos de maior conexão emocional com o consumidor.
No digital, o KFC investe em uma campanha interativa nas redes sociais. Durante os jogos, a marca oferece cupons de desconto para consumidores que participarem de interações no Twitter (X), especialmente em momentos marcantes das partidas, como falhas de goleiros — os chamados “frangos”.
A dinâmica prevê a distribuição de vouchers de R$ 20 para os melhores comentários publicados com a hashtag da campanha, reforçando o engajamento em tempo real e conectando entretenimento com conversão.
McDonald’s conecta resultados dos jogos a benefícios para o consumidor
Seguindo a mesma lógica de engajamento em tempo real, o McDonald’s aposta na campanha “Valendo Méqui”, que transforma acontecimentos dos jogos em cupons de desconto.
Entre as ações que geram benefícios estão vitória do Brasil, derrota da Argentina, gols, pênaltis, uso do VAR e cartões. Os cupons são divulgados pelo perfil oficial da marca no Twitter (X) e podem ser resgatados em até 24 horas após as partidas.
O uso é válido tanto no delivery quanto no aplicativo da rede, com prazo de até três dias, reforçando a estratégia de capturar o consumo imediato impulsionado pelo clima do jogo.
Moda, conveniência e consumo doméstico completam o cenário
No setor de moda, a C&A aposta em uma coleção inspirada no universo do futebol, combinando estética esportiva com lifestyle urbano. A proposta inclui camisetas, jerseys, bonés e peças com identidade visual conectada ao comportamento do consumidor, com preços entre R$ 59,99 e R$ 179,99.
Já no e-commerce, a Shopee reforça sua operação logística para atender compras de última hora, destacando serviços de entrega rápida em grandes centros urbanos e uma estrutura com 22 centros de distribuição.
A estratégia mira consumidores que deixam preparativos para a última hora, seja para receber amigos em casa ou adquirir itens relacionados aos jogos.
A Amazon, por sua vez, concentra esforços no consumo dentro do lar. Segundo a companhia, 84% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos em casa, e cerca de 75% das compras acontecem antes do início do torneio.
Para capturar essa demanda, a empresa estruturou uma agenda de promoções em categorias como eletrônicos, alimentos, bebidas e itens para o lar, além de ações interativas dentro da plataforma.
O movimento reforça uma tendência clara no varejo: grandes eventos esportivos têm consolidado o ambiente doméstico como principal espaço de consumo e celebração, exigindo das marcas uma atuação cada vez mais integrada entre canais, experiência e conveniência.
Fonte: Mercado e Consumo