Doze pessoas foram presas em flagrante na tarde desta quarta-feira (2), no bairro São Mateus, em Juiz de Fora, suspeitas de envolvimento em um golpe que usava falsas oportunidades de trabalho como modelo para atrair vítimas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Militar foi acionada após uma das mulheres abordadas desconfiar da situação. Ao todo, 18 possíveis vítimas foram identificadas, sendo que cinco teriam realizado pagamentos aos suspeitos.
A abordagem começava pelas redes sociais. As mulheres eram procuradas por pessoas que se apresentavam como representantes de agências e recebiam a informação de que haviam sido selecionadas para trabalhos com marcas conhecidas.
O suposto contrato poderia envolver cachês de até R$ 9 mil, com promessa de pagamento imediato. Antes disso, porém, as interessadas eram informadas de que precisariam arcar com despesas relacionadas à produção ou à assessoria de imagem. Os valores cobrados variavam de R$ 4,2 mil a R$ 9 mil.
A ocorrência levou à identificação de 18 possíveis vítimas. Em cinco situações, segundo o registro policial, houve efetivamente pagamento aos suspeitos. A polícia também encontrou quatro transações feitas em máquinas de cartão utilizadas pelo grupo, que totalizaram R$ 17,3 mil.
Seletiva era realizada em sala comercial no São Mateus
Depois do contato inicial, as mulheres eram convidadas para uma suposta seletiva. Os encontros aconteciam em salas comerciais alugadas na Rua São Mateus, preparadas para transmitir a aparência de uma agência de modelos.
O processo incluía preenchimento de cadastro, fotografias e uma entrevista individual. Durante a avaliação, as vítimas recebiam avaliações positivas e eram informadas de que poderiam ser escolhidas para campanhas.
A cobrança dos valores ocorria nesse contexto. Conforme o boletim de ocorrência, uma das pessoas envolvidas utilizava um nome falso durante as entrevistas.
Quando as vítimas afirmavam que não tinham dinheiro ou limite no cartão, a pressão para conseguir o pagamento aumentava. Há relatos de que integrantes do grupo teriam utilizado os celulares das mulheres para acessar aplicativos bancários e realizar operações financeiras.
Em um dos casos registrados, uma vítima teria sido levada a buscar dinheiro em uma agência bancária após ter o documento de identidade retido. O boletim também aponta que os nomes dos beneficiários que apareciam nos comprovantes de pagamento não coincidiam, em alguns casos, com aqueles indicados nos contratos apresentados às vítimas.
Dois suspeitos tinham mandados de prisão em Santa Catarina
Entre os presos estão Marlon de Andrade Lima e João Vitor Silva Martins, apontados como responsáveis pelas empresas envolvidas na atividade. Os dois já eram procurados pela Justiça de Santa Catarina e tinham mandados de prisão preventiva expedidos pela Comarca de Brusque, também relacionados a suspeitas de estelionato.
Ao todo, 12 pessoas foram presas durante a ocorrência. Os envolvidos foram encaminhados para as providências cabíveis, e o caso será investigado pela Polícia Civil.
A investigação deverá apurar a participação de cada suspeito, verificar a extensão do esquema e identificar se existem outras pessoas que possam ter sido vítimas da mesma abordagem.
Até a divulgação das informações pela imprensa, não havia sido localizada a defesa de Marlon de Andrade Lima e João Vitor Silva Martins.