As enchentes registradas em cidades da Zona da Mata mineira acenderam um alerta para os riscos à saúde da população exposta à água contaminada. Em Ubá, além dos danos materiais, o município já confirmou uma morte por leptospirose e investiga dezenas de casos suspeitos da doença, associada ao contato com lama e água suja, o que reforça a necessidade de atenção nos dias seguintes ao retorno para casa.
De acordo com especialistas, a água de inundação pode conter esgoto, lixo, urina de roedores e até produtos químicos, aumentando o risco de infecções. Entre os principais problemas estão doenças como leptospirose, hepatite A, gastroenterites e infecções de pele.
A recomendação é que qualquer sintoma após contato com áreas alagadas seja levado a sério. Febre, dores no corpo, principalmente nas panturrilhas, vômitos, diarreia ou dificuldade para respirar podem indicar desde infecções leves até quadros mais graves, como a própria leptospirose, que pode evoluir rapidamente sem tratamento adequado.
Sintomas e riscos exigem atenção
Casos suspeitos de leptospirose têm sido monitorados após as enchentes, já que a doença é uma das mais comuns nesse tipo de cenário. Transmitida principalmente pela urina de ratos, ela pode inicialmente ser confundida com uma virose, mas exige diagnóstico e acompanhamento médico.
Outras doenças também preocupam. A hepatite A pode ser contraída por água ou alimentos contaminados, enquanto diarreias e gastroenterites estão ligadas à ingestão de água imprópria. Há ainda o risco de tétano em caso de ferimentos e aumento de focos do mosquito da dengue devido ao acúmulo de água parada.
Cuidados com água, alimentação e limpeza
Entre os principais cuidados recomendados está o consumo exclusivo de água tratada. Mesmo com o restabelecimento do abastecimento, a orientação é ferver ou filtrar a água antes de beber. Alimentos que tiveram contato com a enchente devem ser descartados, assim como itens perecíveis que ficaram fora de refrigeração por longos períodos.
A higienização também é essencial. Lavar as mãos com frequência, limpar utensílios e desinfetar superfícies com soluções à base de cloro ou água sanitária ajudam a reduzir o risco de contaminação.
Na volta para imóveis atingidos, a limpeza deve ser feita com proteção. O uso de botas e luvas é indicado para evitar o contato direto com a lama contaminada. A retirada de lixo e entulho ajuda a evitar a presença de roedores, enquanto a ventilação dos ambientes reduz o mofo.
Diante de qualquer sinal de doença, a orientação é buscar atendimento de saúde o quanto antes. Em situações mais graves, como febre persistente, vômitos intensos ou falta de ar, a procura por serviços de urgência é indispensável, conforme orienta o médico Alexandre Pimenta.
Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Matheus Brum.