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30/08/2026
Valéria Costemalle
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Consumidor consciente: dez atitudes na hora de comprar sustentável

Não se trata de perfeccionismo ou purismo ambiental, mas de entender que cada decisão de consumo é um voto no futuro que queremos construir
Consumidor consciente: dez atitudes na hora de comprar sustentável
Imagem gerada com IA

Na prateleira do supermercado, nas lojas de departamentos, nas redes sociais: o termo “sustentável” tomou conta das embalagens e anúncios publicitários. Mas será que tudo o que brilha com cores verdes e promessas de preservação ambiental é realmente responsável? E como o consumidor comum, ocupado e cheio de dúvidas, consegue navegar por essa selva de informações?

A resposta está em aprender a fazer escolhas mais conscientes no ato da compra. Não se trata de perfeccionismo ou purismo ambiental, mas de entender que cada decisão de consumo é um voto no futuro que queremos construir. E essa responsabilidade começa com você, não com as empresas.

Dez ações práticas na hora de escolher seus produtos

Transformar o consumo em um ato consciente é mais simples do que parece. Aqui estão dez atitudes que você pode colocar em prática a partir de hoje:

1. Leia os rótulos e as certificações

Procure por selos reconhecidos internacionalmente como FSC (florestas sustentáveis), Ecocert, Fair Trade ou o Programa de Bem-estar Animal. Desconfie de termos vagos como “natural” ou “eco-friendly” sem certificação que os respaldem.

2. Prefira produtos com embalagens mínimas

Escolha aquele sem embalagem plástica desnecessária. Quanto menos material de embalagem, menor o impacto ambiental. Invista em refil quando disponível.

3. Opte por produtos locais

Comprar de produtores da sua região reduz significativamente a pegada de carbono relacionada ao transporte. Você ainda apoia pequenos negócios da comunidade.

4. Pesquise a origem do produto

Antes de comprar algo mais caro para ter a ilusão de que é “sustentável”, busque informações sobre a empresa. Ela publica relatórios de sustentabilidade? Tem transparência na cadeia de produção?

5. Evite produtos com componentes animais desnecessários

Opte por alternativas veganas quando possível. Não se trata apenas de justiça animal, mas de reduzir a pressão sobre ecossistemas que dependem de grandes extensões de terra para criação.

6. Compre apenas o que você vai usar

A atitude mais sustentável é não comprar. Faça listas de compras, evite impulsos e pense duas vezes antes de adquirir algo “porque está em oferta”.

7. Escolha produtos com maior durabilidade

Um produto de qualidade superior que dura cinco anos é mais sustentável do que aquele barato que se quebra em três meses. Qualidade compensa no longo prazo.

8. Procure por certificações de comércio justo

Fair Trade garante que produtores recebem preço justo e trabalham em condições dignas. Seu dinheiro apoiará práticas éticas.

9. Questione o marketing verde

Se a empresa investe mais em publicidade sustentável do que em ações reais de sustentabilidade, desconfie. Ações falam mais alto que palavras.

10. Use aplicativos e ferramentas para ajudar

Existem tecnologias disponíveis que facilitam a busca por opções mais responsáveis. Você não está sozinho nessa missão.

O que é greenwashing? Entenda a armadilha da publicidade falsa

Greenwashing é quando uma empresa investe em estratégias de comunicação e marketing para aparentar ser mais amiga do meio ambiente do que realmente é. É a mentira verde, o engano ambiental embrulhado em embalagens bonitas e promessas vazias.

Infelizmente, é uma prática comum. Segundo estudo de 2024 da Market Analysis Brasil com apoio do Instituto Akatu, 85% das alegações ambientais em produtos vendidos no Brasil são falsas ou enganosas. Isso significa que, em cinco produtos que você vê com rótulos verdes, quatro provavelmente estão mentindo sobre sua sustentabilidade.

Como o greenwashing funciona

O tipo mais comum é o da “Incerteza”, presente em 57% dos produtos analisados, quando marcas usam termos vagos como “eco-friendly”, “sustentável” ou “amigo do meio ambiente” sem oferecer comprovação concreta. Depois vêm a falta de prova e a irrelevância: destacar como diferencial características que já são obrigatórias por lei.

O mais insidioso é que essa prática confunde consumidores bem-intencionados. Você quer fazer a escolha correta, mas encontra barreiras de desinformação construídas propositalmente.

Três casos que todos devem conhecer

O caso da Bombril: esponja “100% ecológica”

A Bombril foi denunciada ao Conar por divulgar sua esponja de aço como “100% ecológica”. Diante da ausência de comprovação suficiente sobre a cadeia produtiva do produto, a expressão foi retirada da comunicação publicitária.

O caso da Coca-Cola: promessas vazias

A Coca-Cola sofreu críticas globais por supostas práticas de greenwashing. A empresa foi eleita pelo quinto ano consecutivo como a que mais polui com plástico no mundo, enquanto promovia uma imagem de compromisso ambiental.

O caso da GOL: compensação de carbono duvidosa

Em dezembro de 2025, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) acionou a GOL na justiça por supostas práticas enganosas em seus programas de compensação de carbono. A empresa prometia compensar emissões de voos, mas a efetividade real foi questionada.

Ferramentas que ajudam: aplicativos gratuitos

Se você quer contar com ajuda tecnológica para fazer melhores escolhas, existem opções gratuitas disponíveis no Brasil.

Mapa de Feiras Orgânicas

Desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Social em parceria com o IDEC, abrange cidades do Brasil inteiro, mostrando feiras em cada dia da semana. Disponível para Android e iOS. É perfeito para quem quer começar a comprar produtos frescos e realmente sustentáveis direto do produtor.

Sustentabilizando

Um projeto educativo que permite aos usuários calcular o consumo diário de água e energia elétrica ou incentivar o uso de transportes não poluentes. Todas as suas funcionalidades são acessíveis gratuitamente. Um app sem fins lucrativos que se importa realmente com o planeta.

Rota da Reciclagem

Permite encontrar através de um mapa todos os pontos de coleta de materiais recicláveis, que começam em cooperativas de catadores até empresas que compram materiais recicláveis pelo Brasil inteiro. Tire a desculpa de “não tenho onde reciclar”.

A verdade incômoda: você é o poder, não as empresas

As empresas que fazem greenwashing dependem do seu silêncio. Elas contam com sua falta de atenção, com sua preguiça de ler rótulos. Ninguém vai resolver. Você é o responsável.

Enquanto você continuar comprando produtos de empresas que mentem sobre sua sustentabilidade, essas empresas seguem lucrando e poluindo. Enquanto você fechar os olhos para o greenwashing, novos casos aparecerão.

Agora você sabe. Agora você tem informação. E com informação vem responsabilidade. Você não é vítima. É consumidor. E consumidor tem poder.

Faça a lição de casa. Leia os rótulos. Pesquise as empresas. Use os aplicativos. Questione o marketing verde. Boicote o greenwashing. Esse é o seu poder. Não abra mão dele.

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