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03/03/2026
Matheus Brum
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MP denuncia PM por homicídio culposo na morte de Hércules Camilo Júnior, em Juiz de Fora

Ministério Público entendeu que policial militar não respeitou ordem de parada na rua e não estava com giroflex ligado
hércules camilo júnior morreu após ser atingido por viatura policial no bairro são judas tadeu, em juiz de fora
Circuito interno mostra o momento em que moto e viatura policial se batem, no São Judas Tadeu (Foto: Reprodução / @matheusbrumjornalista)

A 5° Promotoria de Justiça de Juiz de Fora, responsável pelo Controle Externo da Atividade Policial, denunciou o policial militar que estava guiando a viatura na hora da batida que matou Hércules Camilo Júnior. O caso ocorreu em 18 de janeiro deste ano, no bairro São Judas Tadeu, em Juiz de Fora.

De acordo com o promotor Hélvio Simões Vidal, a viatura não respeitou o sinal de parada na Rua Monsenhor Francisco de Paula Salgado e não estava em o giroflex ligado.

“A Percicia Criminal da Policia Civil de Minas Gerais emitiu laudo o qual conclui que o sinistro decorreu de inobservância por parte do condutor da viatura policial do dever de parada existente na rua pela qual transitava a viatura (rua Monsenhor Francisco de Paula Salgado). O Ministério Publico obteve imagens de câmera de segurança que registram o movimento da viatura policial, antes da colisão, em ação de policiamento ostensivo SEM ACIONAMENTO DE ALARME SONORO OU LUZ INTERMITENTE, o que retira deste veículo a prioridade de trânsito e livre circulação, conforme prevê o art. 29, VII, ‘d’- ‘e’ do Código de Trânsito Brasileiro”, informou o Promotor na nota (a caixa alta estava na nota e por isso foi reproduzida pelo Folha JF).

O vídeo abaixo é o que foi usado pelo MP para embasar a decisão. Com isso, o PM foi denunciado por homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Agora, o caso será analisado pela Justiça Militar. O espaço está aberto para a defesa do militar denunciado.

Relembre o que estava no B.O da morte de Hércules Camilo Júnior

Na madrugada de domingo (18/01), uma perseguição policial terminou com a morte de Hércules Camilo Júnior, de 21 anos. O motociclista foi perseguido pelas vias da Zona Norte de Juiz de Fora, até que foi atingido por uma viatura policial no bairro São Judas Tadeu. Ele foi socorrido ao HPS, mas não resistiu aos ferimentos.

O Folha JF teve acesso ao boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar. Segundo o B.O, uma moto com dois ocupantes trafegava próximo da esquina da Avenida JK com a Avenida Simeão de Faria, quando foram avistados pela PM. Segundo o B.O, o garupa segurava “um volume na cintura” e o motociclista avançou o sinal em alta velocidade. A viatura começou a seguir a moto, dando sinal de parada. Segundo o B.O, a moto reduziu a velocidade em um primeiro momento. Mas, depois, “retomou a fuga, efetuando um retorno na JK em direção ao Centro

Uma perseguição, então, se iniciou pelas ruas do bairro.

“No cruzamento com a Rua Toscano Bosco Budini, ao realizar a transposição, surgiu da direita a motocicleta, em alta velocidade, e invadiu o cruzamento. Que na área de conflito, mesmo tentando evitar de toda maneira, acabou por ocorrer a colisão entre a motocicleta e a viatura policial”.

Com o impacto, a viatura bateu em uma casa. Na hora do acidente, somente Hércules Camilo Júnior estava na moto. O B.O não relata o que houve com a outra pessoa que estava no veículo. A vítima foi levada para o HPS.

De acordo com o B.O, no hospital, a vítima apresentava “forte odor etílico, proferindo dizeres sem compreensão, comportamento agitado (tentando retirar o colar cervical) e fazendo vômitos, assim apresentando um conjunto de sintomas notórios de influência de álcool“. No B.O, o cheiro de álcool foi confirmado pelo médico que o atendeu no hospital.

O B.O explica que “pelo fato de estar em atendimento médico, não foi possível ofertar o teste do etilômetro“. Hércules veio a óbito ainda na madrugada. A causa da morte não foi detalhada no boletim. O B.O cita que ele e a moto estavam com documentação em dia.

Amigos e familiares de Hércules questionaram a versão da Polícia

Ao longo do domingo, dia da morte, familiares e amigos de Hércules Camilo Júnior fizeram protesto no bairro São Judas Tadeu. Na visão dos familiares, o circuito interno que mostra o momento do impacto deixa claro que não se tratou de um acidente.

“Foi assassinado. Mataram meu filho. Judiaram dele. Trataram meu filho como se fosse um vagabundo. Ele é trabalhador, não mexe com droga”, disse a mãe Sandra Aparecida, em vídeo postado nas redes sociais.

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