O Coral da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) celebra seis décadas de atividades ininterruptas com o Festival Raízes, que será realizado entre sexta-feira (6) e domingo (8), no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora. A programação reúne apresentações do próprio coral, grupos convidados e outros conjuntos ligados à tradição do canto coral na cidade, em uma proposta que combina música, memória e valorização das diferentes expressões culturais. Todas as apresentações têm entrada gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos.
Criado em 1966, o Coral da UFJF construiu uma trajetória marcada pela diversidade de repertórios e pela integração entre música e elementos cênicos. Para marcar os 60 anos, o festival foi concebido não apenas como uma retrospectiva da história do grupo, mas também como um encontro entre diferentes gerações de artistas e formas de expressão musical. A programação inclui referências à cultura popular, às identidades afro-brasileiras e à produção musical brasileira, além de um espetáculo dedicado à trajetória do próprio coral.
Festival Raízes reúne grupos e celebra a cultura afro-brasileira
A abertura ocorre na sexta-feira (6), às 20h, com o Coral da UFJF dividindo o palco com Muvuka, Àkórin e Ingoma. A apresentação estabelece um diálogo entre o canto coral, a percussão e as manifestações culturais de matriz africana e mineira, com repertório que aborda identidade, resistência e valorização da cultura negra.
Entre os convidados está o Muvuka, bloco afro e coletivo cultural de Juiz de Fora que desenvolve atividades de música, dança, percussão e formação voltadas à preservação das afromineiridades. O grupo também mantém o Àkórin – Coral Negro, dedicado ao canto coral e à valorização de tradições afro-brasileiras e da produção de compositores negros. Já o Ingoma trabalha com pesquisa e difusão da cultura popular, especialmente manifestações tradicionais de Minas Gerais, como o congado.
O repertório da noite inclui músicas que ganharam significado na discussão sobre identidade e resistência. É o caso de “Olhos Coloridos”, composição de Macau que se tornou conhecida nacionalmente na interpretação de Sandra de Sá, e “Mulher do Fim do Mundo”, de Alice Coutinho e Rômulo Fróes, eternizada na voz de Elza Soares. As escolhas aproximam diferentes sonoridades e reforçam a presença da cultura negra na construção da música brasileira.
Espetáculo revisita os 60 anos de história do Coral da UFJF
No sábado (7), também às 20h, o público acompanha o espetáculo “Raízes”, que dá nome ao festival e apresenta uma narrativa musical sobre a formação e a permanência do coral ao longo de seis décadas. Com 30 integrantes em cena, a montagem utiliza recursos de cenografia, figurino, iluminação e sonorização para contar a história do grupo por meio das canções e de elementos do teatro popular.
A trajetória é representada simbolicamente por uma árvore posicionada no centro do palco, em referência às origens e aos caminhos percorridos pelo conjunto. A apresentação passa por diferentes momentos da história do coral e aborda temas como resistência, vida urbana, cultura e transformação, alternando situações de luto, opressão, celebração e alegria.
O repertório também recupera músicas que marcaram diferentes fases do grupo. Entre elas está “Vatapá”, de Dorival Caymmi, que volta a ser apresentada pelo coral depois de dez anos. Outra escolha é “Classe Média”, de Max Gonzaga, composição que utiliza a sátira para abordar comportamentos e contradições sociais brasileiras. A noite contará ainda com participações especiais.
Concerto reúne coros ligados à tradição musical de Juiz de Fora
O encerramento do festival acontece no domingo (8), às 19h, com um concerto de gala que reúne o Coral da UFJF, o Coro Acadêmico da universidade e o Coral Pró-Música UFJF. A apresentação aproxima grupos com trajetórias e propostas artísticas distintas, mas que compartilham a atuação na formação e na difusão do canto coral em Juiz de Fora.
Criado em 2015 e vinculado ao Departamento de Música do Instituto de Artes e Design (IAD) da UFJF, o Coro Acadêmico desenvolve um trabalho que integra formação universitária e prática artística, com foco na música coral de concerto. O Coral Pró-Música, por sua vez, foi criado em 1973 e reúne mais de cinco décadas de atuação, com repertório que passa pela música erudita, antiga, colonial brasileira e popular.
Entre as canções previstas para o concerto estão “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo e Renato Rocha, e “Somebody to Love”, composição de Freddie Mercury, conhecido por seu trabalho à frente da banda britânica Queen. A seleção evidencia a diversidade de estilos que caracteriza a programação e o próprio trabalho desenvolvido pelos grupos.
Ingressos gratuitos para o Festival Raízes
As apresentações no Cine-Theatro Central têm entrada gratuita, mas é necessário retirar os ingressos presencialmente. A distribuição ocorre até domingo (8), com atendimento no Forum da Cultura todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, das 10h às 19h. No Cine-Theatro Central, a retirada é feita de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h, e aos sábados, das 9h às 12h.
Nos dias de apresentação, também haverá ingressos disponíveis na portaria do teatro, conforme a disponibilidade.
Serviço
- 6 de novembro, sexta-feira, às 20h: Coral da UFJF convida Muvuka, Àkórin e Ingoma.
- 7 de novembro, sábado, às 20h: Espetáculo “Raízes”, em comemoração aos 60 anos do Coral da UFJF.
- 8 de novembro, domingo, às 19h: Concerto de gala com Coral da UFJF, Coro Acadêmico da UFJF e Coral Pró-Música UFJF.
- Local: Cine-Theatro Central, Praça João Pessoa, Centro.
- Entrada: gratuita, mediante retirada de ingressos.
- Retirada no Forum da Cultura: Rua Santo Antônio, 1.112, Centro, diariamente, das 10h às 19h. Telefone: (32) 2102-6306.
- Retirada no Cine-Theatro Central: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h; aos sábados, das 9h às 12h. Telefone: (32) 2102-6329.