A paralisação de motoristas de aplicativo, motoboys, motogirls e entregadores por bicicleta chegou ao fim nesta quarta-feira (29), em Juiz de Fora. O encerramento foi definido em assembleia realizada pela Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (AMMEJUF), que avaliou o movimento como um marco para a categoria. Segundo os organizadores, a mobilização garantiu a abertura de negociações com plataformas de transporte e entrega e também avançou nas conversas para firmar acordos com aplicativos locais.
De acordo com o presidente da AMMEJUF, Nicolas Souza Santos, um dos principais resultados da paralisação foi conseguir que representantes das plataformas aceitassem discutir as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores, algo que, segundo ele, nunca havia acontecido no município.
“Tudo o que aconteceu foi inédito, tanto a junção de todos os modais de trabalhador por aplicativo quanto a aceitação das diretorias dos aplicativos de sentar e conversar sobre as demandas que a gente trouxe. Juiz de Fora nunca teve esse espaço.”
A paralisação começou na última segunda-feira (27) e reuniu profissionais dos setores de transporte por aplicativo e entregas. Durante o movimento, os participantes deixaram de aceitar corridas e pedidos pelos aplicativos, além de realizarem carreatas, motociatas e ações de conscientização em diferentes pontos da cidade.
Categoria aposta em acordos com aplicativos locais
Além das futuras reuniões com as grandes plataformas, a assembleia também discutiu minutas de acordos com aplicativos sediados em Juiz de Fora. Segundo a AMMEJUF, a intenção é fortalecer empresas locais e buscar modelos de trabalho construídos em diálogo com os profissionais.
Na avaliação do presidente da entidade, esse caminho pode representar uma alternativa para que os recursos movimentados pelo setor permaneçam na economia da cidade.
“A gente ainda está trabalhando em acordo com aplicativos locais, porque acha importante que o dinheiro produzido pelo juiz-forano fique em Juiz de Fora, ao invés de ser remetido aos milhões e bilhões para a Europa e para os Estados Unidos, em aplicativos com quem a gente só consegue conversar depois de uma mobilização como essa.”
A associação informou que os acordos ainda estão em fase de conclusão e devem ser anunciados nos próximos dias.
Mobilização pode voltar caso reivindicações não avancem
Durante a assembleia que marcou o encerramento da paralisação, os trabalhadores também fizeram um balanço do movimento e destacaram o fortalecimento da organização da categoria. Segundo Nicolas, a mobilização demonstrou união entre diferentes grupos de profissionais que atuam por aplicativos e abriu um canal de negociação considerado inédito pelos participantes.
“Foi constatada aqui a importância da mobilização, o crescimento e o amadurecimento da organização dos trabalhadores de Juiz de Fora.”
Apesar do fim da paralisação, a AMMEJUF afirma que continuará acompanhando as negociações com as plataformas e não descarta novas manifestações caso as reivindicações não avancem.
“Caso seja necessário que a gente volte para a rua para manter a mobilização viva, a gente vai fazer isso.”
A categoria reivindica mudanças nas políticas adotadas pelas plataformas, entre elas a criação de um piso de R$ 10 para corridas e entregas de até quatro quilômetros, pagamento adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido e revisão dos novos modelos de remuneração implementados por empresas de transporte e entrega.


