A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora informou que manterá normalmente os atendimentos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) até a próxima segunda-feira (27), quando está prevista uma reunião com a Prefeitura de Juiz de Fora para discutir a regularização de uma dívida de aproximadamente R$ 17,5 milhões.
O esclarecimento foi divulgado após circular, nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, uma informação de que o hospital suspenderia os atendimentos do SUS nesta sexta-feira (24). Essa paralisação não ocorreu e não foi confirmada pela instituição.
Dívida envolve repasses do SUS
Segundo a Santa Casa, os valores em atraso são recursos do SUS provenientes dos governos Federal e Estadual, que chegam ao hospital por meio da Prefeitura de Juiz de Fora.
De acordo com a instituição, os repasses estão pendentes desde fevereiro e atualmente somam cerca de R$ 17,5 milhões.
O hospital afirma que, desde o início dos atrasos, buscou alternativas para evitar prejuízos à população. Entre as medidas adotadas estão negociações com os órgãos responsáveis, contratação de empréstimos e ações internas para manter o funcionamento da unidade.
Ainda assim, a Santa Casa afirma que chegou ao limite de sua capacidade financeira para absorver os impactos da inadimplência.
Santa Casa alerta para possível impacto no SUS
Na nota, a direção da Santa Casa afirma que a falta dos recursos compromete diretamente a compra de medicamentos, materiais e outros insumos essenciais para a assistência hospitalar.
A instituição lembra que é referência em alta complexidade para mais de 90 municípios da Zona da Mata e realiza milhares de cirurgias, exames, internações e atendimentos de urgência todos os anos.
Por isso, informou que manterá os serviços até a reunião marcada para segunda-feira, na expectativa de que seja apresentada uma solução para o impasse.
Caso não haja a regularização dos repasses ou a definição de uma alternativa concreta, a Santa Casa afirma que poderá ser obrigada a adotar medidas que impactem o atendimento de novos pacientes do SUS.
Atrasos constantes
O atraso nos repasses já vinha sendo alvo de cobranças públicas. No início de julho, SindSaúde, sindicato que representa os hospitais, encaminhou um ofício à Prefeitura e à prefeita Margarida Salomão solicitando a regularização dos pagamentos.
Os recursos são destinados especificamente ao custeio de serviços do SUS e, segundo as entidades hospitalares, devem ser repassados aos prestadores após o recebimento pelo município.
O motivo dos atrasos, entretanto, ainda não foi explicado pela Prefeitura, apesar dos questionamentos feitos pelo Folha JF ao longo dos últimos meses.

