Nem mesmo a eliminação precoce da Seleção Brasileira foi capaz de esvaziar o Mercado Municipal durante a Copa do Mundo.
Se o sonho do hexacampeonato acabou antes do esperado, o público encontrou outro motivo para continuar voltando ao espaço: a experiência de assistir aos jogos ao lado de centenas de pessoas, em um ambiente que misturava futebol, música ao vivo, gastronomia e encontros.
Ao longo de todo o Mundial, o telão instalado no Mercado Municipal reuniu famílias, grupos de amigos e até pessoas que chegaram sozinhas, mas encontraram companhia entre uma partida e outra. Não foi apenas nos jogos do Brasil. A programação acompanhou diferentes confrontos da competição e terminou neste domingo, 19, com a transmissão da grande final.
Mais do que um evento esportivo, a Copa acabou mostrando uma vocação que muitos juiz-foranos já começavam a perceber: o Mercado Municipal está deixando de ser apenas um espaço de compras para se consolidar como um dos principais pontos de convivência da cidade.
“O Mercado Municipal melhorou muito. Está virando um point, onde todos sabem que podem se encontrar para bater papo, se divertir, porque aqui a gente encontra várias coisas“, resume a frequentadora Lídia Cristina.
Essa sensação de pertencimento também foi percebida por quem acompanhou a programação durante o torneio.
“É legal ter um ambiente desse, o Mercado vivo, um telão agradável para as pessoas poderem vir e ter condição de estar aqui“, afirma Camilly Nunes.

Um movimento que fortaleceu o comércio
Para os comerciantes, a Copa mostrou que investir em eventos pode transformar completamente a dinâmica do Mercado. No Chopp do Mercado, Thiago Nonatto explica que a ideia nunca foi apenas transmitir partidas de futebol.
“Foi muito bacana ter trazido o telão, juntamente com as músicas e as atrações que fizemos durante a Copa. Isso proporcionou algo muito bacana para o Mercado“, conta.
Segundo ele, o resultado é consequência de um trabalho que vem sendo construído diariamente. “Tem sido um trabalho feito todos os dias, e a gente vê essa evolução acontecendo dia após dia“, destaca.
Quem também percebe essa transformação é Jacqueline Navarro, do Gran Chopp. Para ela, o maior legado da Copa foi mostrar que espaços públicos podem reunir diferentes públicos quando existe uma programação pensada para as pessoas.
“Vamos celebrar essa ideia de ter trazido o telão e proporcionado esses momentos para o público que frequenta o Mercado, oferecendo um espaço público e acessível para todos“, afirma.
Ela lembra que o Mercado reúne características que facilitam essa ocupação. “O Mercado Municipal é um lugar plural. É gratuito, tem estacionamento e acesso fácil por pontos de ônibus. É um espaço que valoriza a diversidade“, ressalta.
A Copa termina. O movimento continua.
Se depender dos comerciantes, o clima vivido durante o Mundial não ficará restrito ao futebol. O sucesso da programação já inspira novos eventos para os próximos meses.
“No segundo semestre já estamos organizando algumas coisas“, adianta Thiago. Jacqueline confirma que a intenção é manter o Mercado vivo até o fim do ano.
“Vamos tentar acompanhar uma programação cultural dentro do que o segundo semestre pode proporcionar até o Natal“, revela.
O verdadeiro legado ficou fora das quatro linhas
A Copa do Mundo passou, o telão vai embora… Mas, em Juiz de Fora, talvez o principal resultado do Mundial tenha acontecido longe dos gramados.
Durante algumas semanas, o Mercado Municipal mostrou que um espaço público pode ser muito mais do que um local de compras. Pode ser palco para encontros, cultura, música, gastronomia e convivência. Um lugar onde diferentes gerações dividem a mesma mesa, torcem juntas e redescobrem o prazer de ocupar a cidade.

Esse talvez seja o maior legado deixado pela Copa: mostrar que, quando existe programação e incentivo, Juiz de Fora responde. E responde com o Mercado cheio. Com gente conversando, com comerciantes vendendo mais e com famílias voltando a frequentar um espaço que, aos poucos, recupera seu papel como um dos grandes pontos de encontro da cidade.
Se o Mundial teve um apito final, a história do Mercado Municipal parece estar apenas começando.



