Três instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) foram interditadas em Juiz de Fora durante a Operação Virtude, realizada pela Vigilância Sanitária do município em parceria com a Vigilância Sanitária de Minas Gerais e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
As instituições interditadas são a Casa de Maria Instituição para Idosos LTDA, o Lar de Idosos Flor de São Francisco e a Vila Toscana Flat Sênior LTDA – Solar.
A operação tem como objetivo combater casos de violência, negligência e outras violações de direitos contra pessoas idosas, além de fiscalizar as condições de funcionamento das instituições.
Duas instituições já haviam sido interditadas
De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, duas das três instituições interditadas já haviam sido alvo de interdição anteriormente, mas continuavam funcionando de forma irregular.
Já a terceira instituição operava sem autorização dos órgãos competentes e recebeu um prazo de 48 horas para que todos os idosos fossem retirados e retornassem às famílias ou fossem encaminhados para outros locais adequados.
Os responsáveis pelas instituições também foram autuados e deverão cumprir as determinações estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores.
Em nota, a Casa de Maria Instituição para Idosos LTDA informou que ainda analisa tecnicamente as irregularidades apontadas pela Vigilância Sanitária e que apresentará sua defesa nas esferas administrativa e/ou judicial. A instituição afirmou que está colaborando com as autoridades e negou ter praticado ou permitido qualquer conduta que atentasse contra a dignidade física ou psicológica dos idosos atendidos. Segundo a nota, os residentes recebiam os cuidados necessários e familiares manifestaram surpresa com a decisão de interdição.
Nota completa: A Casa de Maria Instituição para Idosos LTDA, por intermédio de sua assessoria jurídica, vem a público prestar esclarecimentos acerca da fiscalização realizada pela Vigilância Sanitária Municipal de Juiz de Fora (DVISA), ocorrida em 02 de julho de 2026, no âmbito da denominada “Operação Virtude”.
Encontrando-se a instituição e todo o procedimento em fase de criteriosa análise técnica dos fatos e das imputações formalizadas, e em observância ao princípio da reserva e à pendência de processo administrativo, reserva-se o direito de apresentar suas considerações detalhadas por meio das vias processuais adequadas, seja na esfera administrativa ou judicial, oportunamente. Outrossim, a entidade reitera sua plena disposição em colaborar com as autoridades para o pronto atendimento de quaisquer requisições suplementares.
Nesse contexto, impende alertar que a generalização de condutas criminosas por parte de veículos de mídia e canais de informação, sem a devida individualização das ações e sua respectiva tipificação pelo ordenamento jurídico, constitui falha de rigor técnico ou mera replicação de conteúdo. Frente a tal omissão, generalização de condutas, a Casa de Maria reitera, de forma categórica, que jamais praticou, tolerou ou permitiu qualquer conduta que viesse a atentar contra a dignidade física ou psíquica de seus residentes, mantendo sua atuação pautada pelo estrito respeito aos direitos fundamentais e aos protocolos de assistência geriátrica vigentes. Ressalte-se que, ao tomarem ciência da decisão cautelar, os familiares manifestaram surpresa e indignação, uma vez que segundo relato manuscrito de uma das responsáveis legais, “se adaptou muito bem e apresentou melhora evidente”.
Por fim, a instituição reafirma seu compromisso inarredável com a preservação da dignidade, da segurança e do integral bem-estar dos idosos sob sua responsabilidade, atestando que os residentes encontravam-se sob adequados cuidados, fato corroborado por seus respectivos núcleos familiares.
Em contato com o Folha JF, a comunicação da Vila Toscana informou que a interdição mencionada pela Vigilância Sanitária refere-se exclusivamente à unidade Villa Solar, cuja razão social é Vila Toscana Flat Sênior LTDA. Segundo a defesa, a medida cautelar ocorreu por uma inconsistência no projeto arquitetônico e restringe apenas a admissão de novos residentes. A instituição afirmou ainda que o empreendimento comercialmente conhecido como Villa Toscana não teria relação com os fatos divulgados e informou que poderá apresentar documentos que sustentam essa versão.
Seis instituições foram autuadas neste ano
A Vigilância Sanitária informou que intensificou as ações de fiscalização nas instituições de longa permanência ao longo do primeiro semestre de 2026.
Nesse período, foram vistoriadas 15 ILPIs em Juiz de Fora. Destas, seis foram autuadas por funcionarem sem alvará sanitário ou por apresentarem outras irregularidades consideradas graves.
Além das inspeções, o órgão realiza o acompanhamento de indicadores de saúde dos moradores para identificar situações de risco e aprimorar a qualidade da assistência prestada aos idosos.
Segundo a Prefeitura, o trabalho busca reforçar a proteção dos direitos da pessoa idosa e garantir que as instituições ofereçam atendimento adequado, seguro e dentro das normas sanitárias vigentes.



