A relação entre arte, memória e patrimônio histórico é o ponto de partida da exposição “Cidade do Sonho”, que será aberta nesta terça-feira (9) na Galeria Nívea Bracher, instalada no segundo piso do Mercado Cultural AICE, em Juiz de Fora. A mostra marca os cem anos da publicação de “Cidade do Sonho e da Melancolia – Impressões de Ouro Preto”, livro do jornalista e escritor juiz-forano Gilberto de Alencar que ajudou a consolidar o olhar sobre Ouro Preto como um dos principais símbolos culturais e históricos de Minas Gerais.
A abertura está marcada para as 19h e integra uma programação que também contará com a participação de Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto e ex-ministro da Cultura, em um encontro aberto ao público no auditório do espaço cultural.
A exposição propõe uma viagem visual por diferentes representações da antiga Vila Rica, reunindo trabalhos de artistas que encontraram em Ouro Preto inspiração para suas produções. Por meio de pinturas e outras obras do acervo da Funalfa e de coleções particulares, a mostra apresenta paisagens, construções históricas e cenas ligadas ao cotidiano da cidade que, há séculos, ocupa lugar central na história mineira.
Livro ajudou a construir a imagem cultural de Ouro Preto
Publicada em 1926, a obra de Gilberto de Alencar surgiu em um momento em que o debate sobre preservação do patrimônio histórico ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Em seus relatos, o autor descreveu uma Ouro Preto marcada por contrastes: ao mesmo tempo em que enfrentava um período de perda populacional e transformações econômicas, preservava um conjunto arquitetônico e cultural que despertava o interesse de intelectuais, artistas e pesquisadores.
Ao longo das décadas, o livro se tornou uma referência para estudos sobre a cidade e para reflexões sobre a importância da conservação do patrimônio histórico brasileiro.
A proposta da exposição parte justamente desse olhar lançado por Alencar há um século. Em vez de apresentar apenas registros documentais, a mostra busca explorar as diferentes formas como Ouro Preto foi interpretada e reinventada por artistas ao longo do tempo.
Arte e patrimônio em diálogo
Além de homenagear o escritor juiz-forano, a exposição também convida o público a refletir sobre a permanência de Ouro Preto no imaginário cultural do estado. Mesmo após mais de 300 anos de história, a cidade continua sendo tema recorrente nas artes visuais, na literatura e em diferentes manifestações culturais.
A programação de abertura será encerrada com um painel conduzido por Angelo Oswaldo, que abordará questões relacionadas à preservação da memória, à cultura e à importância histórica de Ouro Preto para Minas Gerais e para o país.
A visitação é gratuita e acontece na Galeria Nívea Bracher, no Mercado Cultural AICE, localizado na região central de Juiz de Fora.