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22/02/2026
Matheus Brum
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Há 114 anos, Juiz de Fora parava para ver um avião cruzar o céu pela primeira vez

O feito foi protagonizado pelo aviador italiano Ernesto Darioli e virou manchete nos jornais da época
Aviador Ernesto Darioli voou sobre Juiz de Fora
Ernesto Darioli sobrevoou Juiz de Fora em 1912 (Foto: Reprodução / Internet)

Em 31 de março de 1912, Juiz de Fora viveu uma cena impensável para a época: um avião sobrevoando o Centro da cidade. O feito foi protagonizado pelo aviador italiano Ernesto Darioli e virou manchete do jornal O Pharol no dia seguinte.

“Danioli fez ontem à população de Juiz de Fora uma linda surpresa realizando belíssimo vôo sobre a cidade, precisamente às dez horas da manhã, quando ninguém esperava que ele voasse”, registrou o periódico.

Era algo absolutamente novo. O voo acontecia pouco mais de cinco anos após a apresentação do 14-Bis por Alberto Santos Dumont, em 1906. A aviação ainda engatinhava no mundo — e Juiz de Fora já fazia parte dessa história.

O “triunfo do arrojado aeronauta”

O texto do jornal, intitulado “O triumpho do arrojado aeronauta”, descreve o espanto da população diante da máquina voadora.

“Foi um espectaculo devéras impressionante a subida do destemido e inteligente aviador”.

O modelo utilizado por Darioli foi um Blériot, monoplano francês considerado um dos mais avançados da época. O aparelho saiu de um hangar improvisado no Centro e seguiu em direção à Tapera — atual bairro Santa Terezinha — voando entre 200 e 400 metros de altura por cerca de 20 minutos.

“Deixando o campo, o aviador fez uma bonita curva, voltando-se para a cidade, vindo costear ao morro do Impedrador”.

Depois, seguiu em direção à matriz e passou em linha reta entre as ruas Halfeld e São João, sobrevoando a região da estação da Central. A cena, para 1912, era praticamente ficção científica.

Pouso forçado e comoção popular

O voo terminou com um susto. O motor superaqueceu e Darioli precisou pousar em um terreno irregular próximo à casa comercial Barra & Irmão, em Mariano Procópio.

O jornal descreve que o solo, cheio de depressões e buracos, provocou a quebra da hélice e danos ao avião. Apesar disso, o aviador saiu ileso.

“Todas tiveram a satisfação de ver são e salvo o intrepido moço, que não sofreu, felizmente, a mais leve arranhadura”.

A cidade foi tomada pelo encantamento. “A população, ao tuido do motor, sahiu para a rua, maravilhada, a olhar o Bleriot, que soberbamente cortava o espaço”.

Darioli foi aclamado com aplausos e “enthusiasticos vivas”. Para Juiz de Fora, era um marco.

Juiz de Fora na vanguarda da aviação

O episódio colocou a cidade na rota da modernidade. Além de Juiz de Fora, Darioli também realizou voos em Porto Alegre e Belo Horizonte, sendo uma figura disputada no país pela “novidade aérea” que representava.

O registro do voo está reproduzido no livro “Juiz de Fora: da bruxa Silvina e do voo de Darioli”, de Jefferson de Almeida Pinto, Helliane Casarin Henriques e Rogério Rezende Pinto, que resgata fatos curiosos publicados na imprensa local entre 1870 e 1930.

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