As atividades da mineradora Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, foram suspensas por decisão da Justiça de Minas Gerais, com efeito imediato. A medida foi tomada após a identificação de impactos ambientais provocados por um vazamento registrado no fim de janeiro, que atingiu cursos d’água da região.
A paralisação foi determinada na última sexta-feira (6), a partir de uma ação movida pelo governo estadual e pelo Ministério Público de Minas Gerais. A Justiça condicionou qualquer retomada das operações à apresentação de laudos técnicos que comprovem a segurança e a estabilidade das estruturas do complexo.
Vazamento em área da Vale atingiu rios da região
De acordo com informações reunidas na ação judicial, o vazamento ocorreu em uma das áreas de extração da Vale e liberou grande volume de água com resíduos do beneficiamento mineral. O material escoou para córregos que alimentam o rio Paraopeba, causando assoreamento e prejuízos à vegetação ao longo do percurso.
O fluxo de lama também atingiu áreas de outra mineradora instalada na região, provocando danos materiais, antes de alcançar o rio Goiabeiras. O curso d’água atravessa trechos urbanos de Ouro Preto e segue em direção ao rio Maranhão, já no município de Congonhas.
Justiça impõe multa e MPF pede bloqueio bilionário
A decisão prevê aplicação de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 10 milhões. O rio Maranhão é afluente do Paraopeba, bacia que ganhou notoriedade nacional após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019.
Além da ação na esfera estadual, o Ministério Público Federal ingressou com pedido para o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão da mineradora. O objetivo é assegurar recursos para a reparação dos danos ambientais e materiais decorrentes do vazamento.
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Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Matheus Brum.



