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08/12/2025
Matheus Brum
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MP cobra solução para atendimento de detentos no HPS, após fim de ala especial

Promotoria abre procedimento, convoca reunião e alerta para riscos de fuga, resgate e violação de direitos. Prefeitura e Sejusp dão versões diferentes sobre estrutura no hospital
Lei obriga Prefeitura a colocar câmeras no HPS e nas UBSs de Juiz de Fora assédio enfermeira agredida
HPS de Juiz de Fora (Foto: Divulgação / PJF)

A 20ª Promotoria de Justiça de Juiz de Fora abriu um procedimento administrativo para cobrar uma solução definitiva sobre a ausência de estrutura adequada para o atendimento de pessoas custodiadas no Hospital de Pronto Socorro (HPS). O despacho, assinado pelo promotor Jorge Tobias de Souza, determina uma reunião nesta quarta-feira (10/12), às 14h, com representantes do Município, da Polícia Penal, da Vara de Execuções Criminais e da direção do HPS para discutir o tema.
Despacho

A medida atende a um pedido feito por Edivani Tavares Lawall, policial penal que representou a Associação do Sistema Socioeducativo e Prisional de Juiz de Fora (ASSPRIJUF). Ele solicitou o restabelecimento da estrutura utilizada durante anos para atendimento de presos — uma área que, segundo o Ministério Público, funcionava como local oficial de custódia, adaptado após uma fuga registrada em 2010.

O que diz o Ministério Público

No documento, o promotor afirma que a Polícia Penal é responsável pela escolta de presos em ambiente hospitalar, mas destaca que a ausência de um espaço adequado no HPS expõe todos os envolvidos — profissionais de saúde, pacientes, policiais e o próprio custodiado — a riscos significativos.

O MP aponta três problemas centrais:

1. Risco de fuga no HPS e de resgate por facções

O despacho é explícito: sem uma área fechada e segura, o ambiente hospitalar se torna vulnerável para ações de resgate ou até execução de presos por rivais.

2. Uso prolongado de algemas é perigoso

A Promotoria reconhece que o uso de algemas em hospital é permitido pela súmula vinculante nº 11 do STF. Porém, alerta que a contenção prolongada favorece o surgimento de feridas graves (úlceras por pressão), o que compromete direitos básicos de saúde e dignidade do preso.

3. Improvisar não é legal

O MP cita normas internacionais e a doutrina jurídica para afirmar que presos só podem ser mantidos em locais oficialmente reconhecidos como de detenção.
Com a desativação da antiga ala, o hospital deixou de ter esse espaço, e a solução atual — manter presos em leitos comuns sob forte contenção — é considerada insuficiente e potencialmente ilegal.

Reunião convocada pelo MP

Para resolver a lacuna, o MP determinou a realização de uma reunião formal no dia 10 de dezembro, com a presença de:

  • juiz da Vara de Execuções Criminais,
  • promotora da VEC,
  • secretário de Saúde,
  • procurador-geral do Município,
  • diretor do HPS,
  • diretor regional da Polícia Penal,
  • representante da ASSPRIJUF.

O objetivo é discutir e definir um novo espaço físico no hospital para atendimento de presos, conciliando segurança e dignidade no tratamento hospitalar.

O que diz a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp)

Em nota ao Folha JF, a Sejusp afirmou que não foi notificada sobre a reunião convocada pelo MP. O Estado também deu uma versão diferente sobre o fechamento da ala para presos:

“A ala específica para detentos do Hospital Pronto Socorro de Juiz de Fora foi fechada, por decisão da direção do hospital, em prol de reformas que providenciarão um ambiente mais humanizado e apropriado para os presos que necessitarem de atendimento médico.”

A pasta reforça que há diálogo com a direção do hospital para definir um novo modelo de atendimento, mas que detalhes não serão divulgados “por questões de segurança”.

O que diz a Prefeitura de Juiz de Fora

A Secretaria de Saúde confirmou que o hospital não possui mais ala exclusiva para custodiados. No entanto, sua justificativa difere do diagnóstico do Ministério Público: Segundo a Prefeitura, o fechamento melhorou a fluidez do atendimento hospitalar e otimizou o uso dos espaços.

“Os pacientes acautelados seguem sendo atendidos conforme os protocolos do SUS, sem qualquer diferenciação no sistema de entrada do hospital.”

E completa que o cuidado e a segurança dos presos continuam sob responsabilidade da Sejusp e que todos os pacientes — presos ou não — são atendidos “com o mesmo cuidado e dignidade”.

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