A arte negra, suas memórias e formas de resistência são o eixo da programação que a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) realiza ao longo de novembro, em referência ao Mês da Consciência Negra. Com espetáculos teatrais, exposição fotográfica e exibição de documentário, as atividades ocupam diferentes espaços culturais de Juiz de Fora a partir do dia 9 e propõem um olhar sobre a presença negra na formação da sociedade brasileira, suas expressões artísticas e a luta contra o racismo. A iniciativa é organizada pela Pró-Reitoria de Cultura e pela Diretoria de Ações Afirmativas, sob o tema “Novembro Negro – Diáspora em Movimento: Arte, Memória e Resistência”.
A programação reúne produções que abordam diferentes dimensões da experiência negra no Brasil, desde os efeitos do racismo estrutural até a luta pelo reconhecimento e pela preservação de manifestações culturais afro-brasileiras. A proposta também aproxima as políticas de promoção da igualdade racial das atividades culturais desenvolvidas pela universidade, utilizando a arte como espaço de debate e valorização de grupos historicamente marginalizados.
Teatro aborda racismo e representatividade na programação do Novembro Negro
A abertura acontece na segunda-feira (9), às 19h, no Cine-Theatro Central, com o espetáculo “Macacos”, idealizado, dirigido e interpretado pelo ator Clayton Nascimento. Reconhecida pela abordagem do racismo estrutural no Brasil, a montagem utiliza o teatro para confrontar marcas históricas da discriminação racial e seus efeitos na sociedade contemporânea.
A apresentação terá entrada gratuita, com distribuição de 1.751 ingressos pela plataforma Sympla a partir de 3 de novembro.
Na segunda-feira seguinte (16), às 19h, o Teatro Paschoal Carlos Magno recebe “Quebrando Paradigmas”, da Confraria do Impossível, com atuação de Lucas Popeta. A peça acompanha a trajetória de um jovem negro, morador de uma comunidade periférica, que decide se aproximar do teatro brasileiro e, nesse percurso, encontra contradições relacionadas à representação social e racial no país.
A partir da experiência do personagem, a montagem questiona os padrões que historicamente orientaram a construção do pensamento social e cultural brasileiro, propondo uma reflexão sobre representatividade, desigualdade e antirracismo. Os ingressos gratuitos estarão disponíveis pelo Sympla a partir de 10 de novembro.
Exposição e documentário recuperam memórias da cultura negra
No dia 18 de novembro, a Galeria Espaço Reitoria, no campus da UFJF, recebe a exposição “Eu quero gente de cor”, composta por fotografias e reproduções de obras de arte que abordam a presença negra e o enfrentamento ao apagamento histórico e cultural.
A mostra reúne imagens do estudo Do Morro pro Asfalto, de Erick Amorim, desenvolvido sob orientação do professor Luiz Fernando Ribeiro, diretor do Museu da Moda Social (MMOS). Também serão apresentadas reproduções de trabalhos de Maria Lídia Magliani, única mulher negra representada no acervo do Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), além de fotografias de Carol de Paula, Fellipe Enzo, Nina Mello e Pedro Aquino. Os registros foram produzidos em Juiz de Fora e no Rio de Janeiro e abordam a identidade, a resistência e a luta por igualdade e reconhecimento.
A abertura da exposição será acompanhada pela exibição do documentário Batuque: (en)cantos de luta, de Guilherme Landim. A produção percorre a trajetória do Batuque Afrobrasileiro de Nélson Silva por meio de registros de ensaios, espetáculos, entrevistas e cenas do cotidiano do grupo, recuperando mais de seis décadas de atuação em Juiz de Fora e região.
Ao articular teatro, artes visuais e audiovisual, o Novembro Negro também reforça a relação entre produção cultural e políticas de igualdade racial. A proposta da UFJF é ampliar o reconhecimento das contribuições negras para a história e a cultura brasileira, além de reafirmar a universidade como espaço de reflexão sobre as desigualdades e de valorização de diferentes experiências e identidades.
Serviço
- 9 de novembro, às 19h: Macacos, com Clayton Nascimento, no Cine-Theatro Central. Ingressos gratuitos pelo Sympla a partir de 3 de novembro.
- 16 de novembro, às 19h: Quebrando Paradigmas, com Lucas Popeta, no Teatro Paschoal Carlos Magno. Ingressos gratuitos pelo Sympla a partir de 10 de novembro.
- 18 de novembro: exposição Eu quero gente de cor, na Galeria Espaço Reitoria, no campus da UFJF, com exibição do documentário Batuque: (en)cantos de luta.
Todas as atividades têm entrada gratuita.