O governo federal anunciou uma série de medidas para ajudar as famílias atingidas pelas chuvas e reconstruir Juiz de Fora e em outras cidades da Zona da Mata. Em diferentes discursos, integrantes do governo afirmaram que as ações seguirão o mesmo modelo utilizado após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024.
Mas a experiência gaúcha mostra que transformar promessas em políticas públicas efetivas pode levar tempo — e enfrentar obstáculos.
Para entender o que deu certo e o que deu errado naquele processo, a reportagem ouviu dois jornalistas do estado.
Promessas demoraram a sair do papel
O repórter Bruno Mucke, da Rádio Caxias, explicou que muitas promessas feitas após a tragédia ainda não foram totalmente cumpridas.
“O governo federal prometeu algumas coisas em relação a auxílio para moradias, mas demorou bastante, principalmente aqui na região da Serra.”
Segundo ele, parte das ações acabou acontecendo por programas locais já existentes.
“Em programas da prefeitura de Caxias do Sul, como o Habita Caxias, houve um incremento de valor junto ao governo estadual e também o governo federal participando.”
Mesmo assim, algumas promessas de reconstrução seguem pendentes.
“O discurso inicial era que o governo federal iria participar bastante, principalmente nas rodovias que foram bastante prejudicadas por aqui, mas ficou apenas a conversa.”
Um exemplo citado foi o da cidade de Santa Teresa, que sofreu com deslizamentos.
“Casas que eram prometidas para a metade de 2025, depois para o fim de 2025, ainda não foram entregues. São 24 casas e, mais de um ano depois da previsão inicial, elas ainda não foram concluídas.”
Burocracia atrasou entrega de moradias
Outro programa criado após a enchente no Rio Grande do Sul foi a chamada Compra Assistida, destinada a garantir moradia às famílias que perderam suas casas.
O repórter Guilherme Milman, da Rádio Gaúcha, explica que o modelo enfrentou dificuldades operacionais.
“O grande desafio do programa Compra Assistida foi conseguir entregar o maior número de casas com maior agilidade dentro de um processo burocrático.”
Segundo ele, o programa era novo e envolvia diversas etapas administrativas.
“Tinha a fase do cadastramento das casas, o cadastramento das famílias, a escolha dos imóveis, o aval da Caixa, o repasse e a entrega da chave.”
Essa sequência acabou provocando atrasos.
“Muitas famílias demoraram para receber a chave e outras ainda nem receberam. Vão ter que agora esperar o Minha Casa, Minha Vida ficar pronto.”
Falta de clareza gerou frustração
Outro ponto destacado foi a expectativa criada junto às vítimas da tragédia.
“Faltou para o governo federal ser mais transparente no anúncio. Quando o governo diz que vai entregar casa para todo mundo, a pessoa que perdeu tudo espera receber isso rapidamente”, relatou Milman.
Segundo o repórter da Rádio Gaúcha, a demora gerou insatisfação.
“Se o governo não deixa claro que é um processo que pode demorar, isso acaba gerando frustração. Lá no Rio Grande do Sul tivemos protestos e manifestações.”
Zona da Mata começa agora o processo de se reconstruir
Com base nessa experiência, especialistas apontam que a reconstrução da Zona da Mata pode enfrentar desafios semelhantes.
A criação de programas emergenciais, cadastramento de famílias, busca por imóveis e liberação de recursos costuma exigir tempo e articulação entre diferentes esferas de governo.
Por isso, a execução das políticas públicas anunciadas para a região deve ser acompanhada de perto.
Como sempre tem destacado o Folha JF, o portal seguirá monitorando a implementação dessas medidas.