Os quatro policiais civis presos na operação Abre-te, Sésamo, realizada em Juiz de Fora na última quinta-feira (15), continuam detidos preventivamente na Casa de Custódia da Polícia Civil, em Belo Horizonte. Eles passaram por audiência de custódia e permaneceram presos.
Os investigados são os policiais civis Bruno Morin, Leonardo Garcia e Raian Andrade, além do delegado Rogério Woyame. A operação foi conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Segundo o Ministério Público, a investigação apura a possível participação dos policiais em uma organização criminosa envolvida em práticas de extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro relacionadas ao tráfico de drogas em Juiz de Fora.
O processo tramita em segredo de Justiça, o que limita o acesso aos detalhes das investigações e aos fundamentos das prisões preventivas.
Operação é desdobramento da investigação Ali Baba
A operação Abre-te, Sésamo foi deflagrada na manhã de 15 de outubro pela Promotoria de Justiça de Combate ao Crime Organizado de Juiz de Fora e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com participação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais.
De acordo com o MPMG, a ação é um desdobramento da operação Ali Baba, que investigou a atuação de uma organização criminosa supostamente envolvida em extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro associados ao tráfico de drogas na cidade.
Durante a operação, foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais de sequestro e indisponibilidade de bens móveis e imóveis.
O Ministério Público informou que as medidas foram determinadas no âmbito da investigação sobre a possível participação de policiais civis no grupo criminoso.
O Folha JF solicitou esclarecimentos ao Ministério Público e à Polícia Civil sobre as acusações e as circunstâncias das prisões, mas os órgãos não forneceram detalhes adicionais.
Defesa considera prisões de policiais civis desproporcionais e prepara recurso
O advogado criminalista Luiz Eduardo Lima, responsável pela defesa de Rogério Woyame, Bruno Morin e Raian Andrade, informou que recebeu com surpresa a decisão que determinou as prisões preventivas.
Segundo ele, o acesso integral ao material investigativo só foi disponibilizado às defesas após a audiência de custódia.
Mesmo assim, o advogado afirmou que, devido ao grande volume de documentos, ainda não foi possível analisar completamente os fatos que fundamentaram a investigação.
“A defesa dos Policiais Civis investigados na “Operação Abre-te Sésamo”, presos no último dia 15 de outubro de 2026, recebeu com muita surpresa a ordem de restrição de liberdade de forma preventiva. Destaca-se que somente após audiência de custódia foi disponibilizado às defesas o acesso a todo o material investigativo. Todavia, em razão do vasto acervo documental, ainda não foi possível o conhecimento completo dos fatos”.
O advogado também informou que pretende apresentar um pedido ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para buscar a liberdade dos investigados que representa.
“Importante destacar que, neste momento, busca-se garantir os direitos e garantias fundamentais dos investigados. Informa-se, desde já, que, em breve, será interposto pedido perante o Egrégio Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a fim de restituir a liberdade de todos, visto que a prisão se revela medida desproporcional ao caso concreto”.
Leonardo Garcia mudou de advogado
O policial civil Leonardo Garcia mudou de advogado nesta segunda-feira (19). Até a conclusão desta reportagem, o Folha JF não havia conseguido contato com a nova defesa do investigado. O espaço permanece aberto para manifestação.
As investigações continuam sob responsabilidade do Ministério Público e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
As prisões são preventivas e não representam condenação. Até o momento, os detalhes individualizados das suspeitas contra cada policial não foram divulgados oficialmente, e o procedimento segue em segredo de Justiça.