Na última semana, uma passageira registrou em vídeo um incidente inusitado: choveu dentro de um ônibus da Viação Progresso que fazia a linha Juiz de Fora-Barra Mansa. A água que entrou pelo vidro lateral molhou os pertences dos passageiros, causando desconforto e indignação.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que a empresa recebeu 50 reclamações neste ano. Os principais problemas relatados incluem atrasos, defeitos mecânicos e falta de higiene nos veículos. Atualmente, a Viação Progresso opera 27 ônibus em 11 linhas, número considerado suficiente pela ANTT.
A empresa enfrenta uma grave crise financeira. Com uma dívida de R$ 19 milhões com a Fazenda Nacional, também é alvo de uma cobrança judicial de R$ 4 milhões referente a um empréstimo de R$ 3 milhões solicitado em 2020. Após pagar quatro parcelas, a empresa interrompeu os pagamentos. A Progresso atribui os problemas à pandemia, que impactou severamente o setor de transportes.
Em nota, a Viação Progresso lamentou o incidente no ônibus e informou que o veículo passou por manutenção. A empresa destacou que o endividamento foi necessário para manter a operação e o pagamento de salários durante a crise sanitária e afirmou estar negociando os débitos. Por fim, elogiou o subsídio ao transporte coletivo oferecido pela Prefeitura de Juiz de Fora, destacando a importância de apoio governamental ao setor.
Veja nota da Viação Progresso na íntegra
Lamentamos profundamente o fato ocorrido. Ao tomarmos conhecimento da situação retiramos imediatamente o veículo de circulação e constatamos que um dos vidros laterais do veículo havia se descolado na parte superior da janela. Esse tipo de problema não é comum e nem tem como ser detectado nas manutenções preventivas. Ocorre em função da vibração da carroceria e de mudanças bruscas de temperatura que acabam ressecando a cola. O veículo foi reparado e retornou a operação 2 dias após o incidente.
Quanto às questões levantadas sobre dificuldade financeira enfrentada pela empresa, isso é uma realidade no segmento de transporte de passageiros, em função dos prejuízos absurdos contraídos durante a pandemia Covid19.
O setor de transporte de passageiros foi um dos mais afetados na pandemia e por ser um serviço publico operado por empresas privadas foi obrigado a seguir decisões politicas dos executivos Municipais, Estaduais e Federais, durante a Covid19 que ora proibia as empresas de operar e ora obrigava as mesmas a operar mesmo sem ter demanda suficiente acarretando um desequilíbrio econômico financeiro na operação.
O endividamento foi inevitável, pois precisávamos garantir a continuidade da operação, mesmo com a receita custeando apenas os gastos diretos, como folha de pagamento, óleo diesel, peças e materiais de manutenção. Mantivemos em dia os compromissos com nossos colaboradores e fornecedores, sem atraso nos pagamentos, mas infelizmente isso não foi possível com instituições financeiras e com os impostos. Que somente agora estamos negociando.
O setor está agonizando e pedindo ajuda as autoridades, mas infelizmente poucos municípios é que adotaram a subvenção para subsidiar o transporte publico, assim como está sendo feito nas cidades do Rio de Janeiro e Juiz de Fora por exemplo.
Crédito da imagem: Divulgação / Viação Progresso



