Quem tem asma provavelmente já ouviu alguma vez que usar a chamada “bombinha” com frequência pode viciar. O receio faz com que algumas pessoas evitem o medicamento ou tentem utilizá-lo apenas quando a falta de ar se torna mais intensa.
Mas a ideia de que bombinha de asma causa vício é um mito. O que pode acontecer é outra coisa: quando a doença não está sendo controlada adequadamente, o paciente pode precisar recorrer cada vez mais à medicação utilizada para aliviar os sintomas.
No Folha Saúde desta semana, o médico alergista e imunologista Dr. Fernando Aarestrup explica que entender essa diferença começa por saber que nem todas as “bombinhas” têm a mesma função.
Existem diferentes tipos de bombinha para asma
O termo bombinha é usado popularmente para os dispositivos inalatórios que permitem que a medicação chegue às vias respiratórias. Segundo o Dr. Fernando Aarestrup, há uma diferença fundamental entre os medicamentos destinados ao controle da asma e aqueles utilizados como resgate.
Os corticoides inalatórios fazem parte do tratamento de controle. Eles não têm como principal função provocar aquela sensação imediata de que o pulmão “abriu”. Seu papel é tratar a inflamação associada à asma.
Por isso, quando prescritos pelo médico, devem ser utilizados continuamente pelo período determinado, inclusive nos momentos em que o paciente não está sentindo falta de ar.
A lógica é controlar a inflamação para reduzir a ocorrência de crises posteriormente.
“Primeiro eu tenho que desinflamar o meu pulmão para depois eu não ter crises de falta de ar e crises de tosse”, explica o Dr. Fernando Aarestrup.

Por que algumas pessoas parecem ficar “dependentes” da bombinha?
Do outro lado estão as chamadas medicações de resgate, entre elas o salbutamol, conhecido também por nomes comerciais como Aerolin. Esses medicamentos são broncodilatadores e atuam abrindo as vias respiratórias, proporcionando alívio dos sintomas.
É nesse ponto que pode surgir a impressão de que a bombinha “viciou”.
Quando uma pessoa não faz corretamente o tratamento de controle e a inflamação permanece, as crises podem continuar acontecendo. Como consequência, ela passa a recorrer repetidamente ao broncodilatador para conseguir respirar melhor.
O problema, portanto, não é um vício provocado pelo dispositivo.
“As bombinhas não viciam, mas, se você fizer o tratamento errado, vai ficar dependente do broncodilatador”, alerta o Dr. Fernando Aarestrup.
Em outras palavras, precisar da medicação de resgate repetidamente pode indicar que a asma não está adequadamente controlada e que o tratamento precisa ser avaliado.
Tratar apenas a crise não significa controlar a asma
A sensação rápida de melhora proporcionada pelo broncodilatador pode levar algumas pessoas a concentrarem o tratamento apenas nos momentos de falta de ar. Entretanto, aliviar o sintoma e tratar a inflamação são coisas diferentes.
É por isso que o Dr. Fernando Aarestrup chama atenção para a importância de seguir corretamente a orientação médica e utilizar os medicamentos de controle pelo período prescrito.
Também não é recomendado interromper, trocar ou aumentar o uso das medicações por conta própria.
A mensagem principal é simples: não é a bombinha que causa dependência. Quando o paciente percebe que precisa recorrer ao medicamento de resgate cada vez mais, isso merece atenção, porque pode ser um sinal de que a doença não está sendo controlada da maneira adequada.
E as consequências podem ser graves. O Dr. Fernando Aarestrup lembra que a asma pode levar à morte quando não é adequadamente tratada.
Por isso, quem apresenta crises frequentes, aumento da falta de ar, tosse recorrente ou necessidade repetida da medicação de resgate deve procurar avaliação médica para revisar o controle da doença e o tratamento utilizado.
O conteúdo integra o Folha Saúde, quadro do Folha JF dedicado a tirar dúvidas sobre saúde e aproximar especialistas da população de Juiz de Fora.