Márcio Heleno de Oliveira, de 63 anos, morreu na madrugada desta terça-feira (15) após passar dias aguardando uma vaga em leito de UTI, em Juiz de Fora.
O idoso estava internado desde 9 de julho na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santa Luzia, e, segundo a família, chegou a receber uma liminar judicial garantindo a transferência para um hospital com estrutura adequada. No entanto, a decisão não foi cumprida a tempo.
De acordo com os familiares, Márcio começou a apresentar problemas de saúde no fim de junho, quando foi internado no Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira com diagnóstico de abscesso perianal. Ele passou por cirurgia e chegou a receber alta, mas retornou com o quadro agravado e foi encaminhado à UPA, onde foi constatada a presença de uma bactéria resistente. Os médicos indicaram a necessidade urgente de CTI e nova cirurgia.
Mesmo com a gravidade do caso, segundo a irmã Renata de Fátima Oliveira, nenhuma das tentativas de transferência realizadas foi aceita. A família relatou que pelo menos quatro hospitais recusaram o paciente. A Prefeitura confirmou, em nota, que foram feitas 79 tentativas de transferência, sem sucesso, devido à indisponibilidade de vagas.
A Santa Casa e o Hospital Therezinha de Jesus justificaram que as recusas aconteceram por falta de leitos de UTI. Já o Hospital Ana Nery informou que não recebeu solicitação formal. A decisão judicial, que determinava a transferência em até 24 horas, foi concedida no domingo (14), mas o paciente faleceu pouco depois do prazo final.
O atestado de óbito aponta infecção generalizada, infecção de pele e insuficiência renal aguda como causas da morte. O sepultamento aconteceu nesta terça-feira, no Cemitério Parque da Saudade.
A advogada da família, Lecy Lopes, informou que o caso será levado à Justiça. Segundo ela, “a saúde pública falhou, e essa perda não pode ser esquecida”.
A Prefeitura de Juiz de Fora declarou que está investigando o caso e que o município enfrenta grande pressão sobre o sistema de saúde, com leitos de UTI disputados por mais de 90 cidades da Macrorregião Sudeste. A nota ressalta que os processos de regulação seguem critérios médicos e clínicos definidos pelo SUS.