Juiz de Fora conheceu, na noite deste sábado (22), a nova vencedora de um dos concursos mais tradicionais da cidade. Allessa Paes, representante do Pará, foi eleita Miss Brasil Gay 2026, durante a 44ª edição do concurso, realizada no Terrazzo.
A vitória aconteceu justamente em uma edição histórica. Em 2026, o Miss Brasil Gay celebra 50 anos desde o início do projeto idealizado por Chiquinho Mota, que transformou Juiz de Fora em uma das principais referências brasileiras da arte transformista e da cultura LGBTQIA+.
Allessa teve uma noite de protagonismo. Além de conquistar a coroa, a representante do Pará terminou em primeiro lugar nas avaliações de melhor traje típico e melhor traje de gala.
Pará conquista o título de Miss Brasil Gay 2026
Após os desfiles e as diferentes etapas da competição, seis candidatas chegaram à final. Mary Miller, do Distrito Federal, ficou com a segunda colocação, enquanto Wend Caster, do Rio de Janeiro, completou o pódio.
O resultado final ficou assim:
- Pará – Allessa Paes
- Distrito Federal – Mary Miller
- Rio de Janeiro – Wend Caster
- Mato Grosso – Melissa Oliveira
- Goiás – Nicolly Almeida
- Amapá – Sofia Smith
Melissa Oliveira, representante de Mato Grosso, também conquistou o Júri Popular. Liandra Santana, de Rondônia, recebeu o título de Miss Simpatia, enquanto Wend Caster, do Rio de Janeiro, foi escolhida Miss Fotogenia.
Nos trajes típicos, Allessa Paes ficou em primeiro, seguida por Sofia Smith, do Amapá, e Melissa Oliveira, de Mato Grosso.
A representante paraense também liderou a avaliação do traje de gala. Mary Miller, do Distrito Federal, ficou em segundo, e Wend Caster, do Rio de Janeiro, em terceiro.
Oratória também decidiu as finalistas
O Miss Brasil Gay não ficou restrito aos tradicionais desfiles. Desde 2023, o concurso também conta com uma etapa de oratória e conhecimentos gerais.
Nesta edição, 12 candidatas chegaram à semifinal. As concorrentes precisaram responder a perguntas sobre temas sorteados no momento da prova. A partir dessa fase foram definidas as seis finalistas, incluindo uma classificada pelo júri popular.
A escolha da vencedora encerrou uma noite que também foi construída para revisitar as cinco décadas de história do evento.
Miss Brasil Gay comemorou 50 anos com shows e homenagens
A edição de 2026 teve apresentações de Rhada Vasconcelos, TiTiago, Penelopy Jean, Divina Nubia, Hellena Borgys, Deborah Killer, Italo Saturnino e Sayhuri Heiwa, em uma homenagem à trajetória e às transformações da arte LGBTQIA+.
Os bailarinos Allyson Castro, Mikê Fídelis, Higor Pereira, Marcos Wernecke e o Ballet Chiquérrimo também participaram da celebração.
A apresentação ficou novamente sob responsabilidade de Ikaro Kadoshi e Sheila Veríssimo, nomes já conhecidos do público do concurso.
O júri contou com convidados como David Brazil, Monique Arruda, Pri Helena, Luciano di Carvalho, Michelly X, Isabelita dos Patins, Tatiane Feiticeira, Viviane Araújo e Joel Divo.
Pela primeira vez, candidatas foram apresentadas em praça pública
A celebração dos 50 anos começou antes mesmo da abertura das portas do Terrazzo. Na sexta-feira (21), o Miss Brasil Gay protagonizou uma cena inédita em sua trajetória: as candidatas foram apresentadas gratuitamente ao público na Praça Prefeito Tarcísio Delgado, antiga Praça Antônio Carlos.
A ação aconteceu dentro da programação do Baile do Manifesto e levou as representantes dos estados e do Distrito Federal para fora do ambiente tradicional do concurso.
Segundo o diretor artístico André Pavam, a iniciativa representou uma mudança importante na relação entre as candidatas e o público.
“As misses sempre ficavam nos palcos dos concursos e nunca foram para a rua. Foi uma honra receber o convite para levá-las para uma praça pública e apresentá-las à população.”
A escolha também reforçou a relação construída entre o Miss Brasil Gay e Juiz de Fora durante cinco décadas.
Uma história que começou há meio século em Juiz de Fora
O aniversário celebrado neste fim de semana remete ao início do projeto criado por Chiquinho Mota na década de 1970, em um período no qual manifestações de diversidade enfrentavam um cenário muito mais repressivo no Brasil.
Para André Pavam, chegar aos 50 anos demonstra a dimensão adquirida pelo evento.
“Chegar a esse marco histórico de um evento que nasceu há meio século, em plena ditadura militar, que defende o respeito à diversidade, por meio do glamour, da beleza, da alegria e da arte do transformismo, é um grande feito.”
Neste sábado, essa história ganhou mais um capítulo. Allessa Paes levou a coroa para o Pará e passou a fazer parte da galeria de vencedoras do Miss Brasil Gay.
E o fim de semana de celebração da diversidade em Juiz de Fora ainda não terminou. Neste domingo (23), a programação segue com a Parada LGBTQIA+, que terá concentração a partir das 12h na Praça Deputado Clodesmidt Riani, antiga Praça Riachuelo, e seguirá pela Avenida Rio Branco em direção à Catedral Metropolitana.