Quem mora em Juiz de Fora conhece bem essa cena. O tempo esfria, o ar fica mais seco, a poeira parece aumentar e, de repente, aquela tosse começa.
No início, muita gente acha que é apenas uma gripe mal curada. Depois coloca a culpa na mudança de temperatura, na rinite ou até na fumaça e na poluição. Só que os dias passam, as semanas chegam e a tosse continua ali, principalmente durante a noite ou quando a pessoa faz algum esforço físico.
O que pouca gente sabe é que essa tosse seca persistente pode ser o único sintoma da asma. Esse é o tema do Folha Saúde, quadro do Folha JF que conversa com o médico alergista e imunologista, Dr. Fernando Aarestrup.
Nem toda asma provoca chiado no peito
Quando se fala em asma, a maioria das pessoas imagina alguém com falta de ar intensa e chiado no peito. Mas nem sempre é assim. Segundo o Dr. Fernando, existe uma forma da doença chamada asma variante da tosse, em que o paciente praticamente não apresenta esses sintomas clássicos.
“Existe uma forma chamada asma variante da tosse, em que a tosse seca persistente é a principal ou única manifestação da doença, geralmente piorando à noite, ao acordar ou após exercícios físicos”, explica.
Por isso, quem passa semanas tossindo sem saber o motivo deve ficar atento.

Quando a tosse merece investigação?
Se a tosse aparece principalmente quando você vai dormir, acorda de madrugada, dá risada, pratica atividade física ou entra em contato com poeira, mofo, pelos de animais ou ácaros, talvez não seja apenas um resfriado prolongado. Esses são alguns dos sinais que podem indicar que existe um processo inflamatório nas vias respiratórias.
Existem vários tipos de asma
Embora seja conhecida simplesmente como “asma”, a doença pode se apresentar de maneiras diferentes.
Entre as principais estão a asma alérgica, a asma variante da tosse, a asma induzida pelo exercício, a asma eosinofílica, a asma ocupacional, a relacionada à obesidade e a asma grave. Cada uma delas exige uma investigação específica para que o tratamento seja realmente eficaz.
Como o diagnóstico é feito?
Segundo o especialista, o diagnóstico começa com uma boa conversa entre médico e paciente, seguida do exame físico.
Dependendo do caso, são solicitados exames como a espirometria, que avalia o funcionamento dos pulmões, além de testes alérgicos capazes de identificar quais substâncias estão desencadeando os sintomas. Isso permite um tratamento muito mais direcionado.
Alergia pode ser a causa da asma
A forma mais comum da doença é justamente a asma alérgica. Nesses casos, além dos medicamentos inalatórios, alguns pacientes podem ser candidatos à imunoterapia com alérgenos, conhecida popularmente como vacina para alergia.
Segundo o Dr. Fernando, esse é o único tratamento capaz de atuar na causa da alergia e modificar a resposta do sistema imunológico ao longo do tempo.

Não espere a tosse virar rotina
Muita gente acaba se acostumando a tossir todos os dias e só procura ajuda quando aparecem crises mais fortes.
O alerta é procurar um alergista e imunologista quando a tosse durar mais de três semanas, piorar durante a noite, surgir após exercícios físicos ou vier acompanhada de falta de ar, chiado ou aperto no peito.
“A asma é uma doença inflamatória crônica que pode se manifestar apenas com tosse seca. O diagnóstico precoce permite identificar os fatores desencadeantes, confirmar o tipo de asma e indicar o tratamento mais adequado. Nos casos de asma alérgica, a imunoterapia com alérgenos pode tratar a causa da alergia e proporcionar benefícios duradouros”, conclui o Dr. Fernando Aarestrup.


