Quem passa diariamente pela esquina da rua Monsenhor Gustavo Freire com a Rua São Mateus talvez não imagine que ali está um dos edifícios religiosos mais importantes da história de Juiz de Fora. Com arquitetura marcante e quase um século de existência, a Igreja São Mateus se tornou um dos principais cartões-postais da cidade, reunindo fé, arte e um rico patrimônio histórico.
Embora a atual matriz seja conhecida por sua imponência, suas origens são bem mais antigas.
De uma pequena capela ao nascimento da paróquia
A história da comunidade começou em 1882, quando moradores da região ergueram uma pequena capela dedicada a São Mateus. Na época, o bairro ainda dava seus primeiros passos, mas já crescia com a chegada de famílias vindas do interior em busca de melhores oportunidades e educação para os filhos.
Décadas depois, a comunidade ganhou importância dentro da Diocese de Juiz de Fora. Em 19 de dezembro de 1926, foi criada oficialmente a Paróquia São Mateus, instalada canonicamente em 1º de janeiro de 1927, tornando-se a primeira paróquia criada na cidade após a instalação da Diocese.

O sonho de Monsenhor Gustavo Freire
Poucos personagens marcaram tanto a história da igreja quanto o Monsenhor Gustavo Freire. Primeiro vigário da paróquia, ele idealizou a construção de um templo muito maior, capaz de acompanhar o crescimento do bairro e acolher os fiéis com dignidade.
A pedra fundamental da atual igreja foi lançada em 23 de junho de 1933. Para que a comunidade não deixasse de celebrar as missas durante a construção, a antiga capela permaneceu funcionando enquanto as paredes da nova igreja eram erguidas ao seu redor. Somente depois da conclusão da cobertura é que a capela original foi desmontada.
A dedicação do monsenhor foi tão grande que, segundo relatos históricos, ele chegou a assumir dívidas pessoais para concluir a obra, mobilizando campanhas e a participação dos moradores. Seu legado permanece vivo até hoje: ele está sepultado no corredor central da própria igreja.

Uma das igrejas mais belas de Juiz de Fora
O prédio da matriz chama atenção pela arquitetura eclética, que reúne elementos do neoclassicismo e detalhes do art déco, um estilo moderno para a época em que foi construída.
Mas a riqueza do templo não está apenas na fachada. O interior foi cuidadosamente planejado para que cada detalhe transmitisse uma mensagem religiosa. Os vitrais, esculturas, altares e imagens formam uma verdadeira narrativa visual da fé cristã, transformando a igreja em uma espécie de catequese permanente para os visitantes.
Entre os destaques estão os vitrais dedicados aos doze apóstolos, as representações de importantes personagens bíblicos e a preservação do altar original, mantido praticamente intacto desde sua inauguração.
Um patrimônio da cidade
Mais do que um espaço de oração, a Igreja São Mateus representa uma parte importante da memória de Juiz de Fora. Ao longo de décadas, acompanhou o crescimento do bairro, testemunhou gerações de batizados, casamentos e celebrações religiosas e consolidou-se como um dos principais patrimônios arquitetônicos da cidade.
Quem entra no templo encontra um ambiente de silêncio e contemplação que contrasta com o movimento intenso do bairro ao redor. É justamente essa combinação entre história, arquitetura e espiritualidade que faz da Igreja São Mateus um dos lugares mais especiais de Juiz de Fora, prestes a completar um século de existência.


