Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)), liderados pelo professor Celso Bandeira, divulgaram uma nota técnica com recomendações para obras de reconstrução e novos projetos de infraestrutura após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e cidades da Zona da Mata em fevereiro deste ano. O documento reúne orientações para que intervenções futuras considerem o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos, reduzindo os riscos de novos desastres.
A publicação foi elaborada por integrantes do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC) e do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA). O objetivo é oferecer suporte técnico para órgãos públicos, empresas e profissionais envolvidos na reconstrução das áreas afetadas, além de contribuir para o planejamento urbano diante das mudanças no comportamento das chuvas.
Documento recomenda revisão dos critérios para obras
Entre as principais orientações da nota técnica está a atualização dos critérios utilizados no dimensionamento de obras como pontes, galerias pluviais, sistemas de drenagem e demais estruturas relacionadas ao controle de cheias. Segundo os pesquisadores, os projetos precisam considerar registros históricos mais amplos e incorporar os eventos extremos já observados na região, em vez de utilizar apenas parâmetros tradicionais.
O documento também recomenda que estudos sobre precipitação, vazão dos rios, áreas de inundação e velocidade da água sejam revisados para refletir a realidade atual. A proposta é que essas informações sirvam de base para projetos de engenharia mais compatíveis com o cenário climático dos próximos anos.
Outra recomendação é que o planejamento das intervenções esteja alinhado ao Plano Diretor do município, levando em conta o zoneamento urbano e as características das áreas mais suscetíveis a alagamentos e deslizamentos.
Estudo destaca efeitos das mudanças climáticas
Os pesquisadores ressaltam que há consenso na comunidade científica de que o aquecimento global tem favorecido a ocorrência de chuvas mais intensas, aumentando o risco de enchentes e movimentos de massa. Segundo a nota técnica, ignorar esse cenário pode resultar em obras subdimensionadas, incapazes de suportar eventos semelhantes aos registrados recentemente.
O estudo também chama atenção para os impactos econômicos provocados pelas inundações na bacia do Rio Paraíba do Sul. De acordo com os pesquisadores, os prejuízos acumulados entre 1995 e 2025 ultrapassam R$ 2,6 bilhões, afetando infraestrutura, serviços públicos, atividades econômicas e a população da região.
A elaboração do documento ocorre poucos meses após a maior tragédia climática da história de Juiz de Fora. Em fevereiro de 2026, as chuvas provocaram 66 mortes, deixaram mais de 8,5 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas e destruíram cerca de duas mil moradias. Para os autores, as recomendações apresentadas poderão ser atualizadas conforme novos estudos e dados científicos sejam produzidos, acompanhando a evolução das pesquisas sobre mudanças climáticas e gestão de riscos.


