Juiz de Fora alcançou um recorde histórico no número de Microempreendedores Individuais (MEIs). Em junho de 2026, o município chegou a 59.486 MEIs ativos, segundo estudo do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, elaborado a partir de dados do Portal do Empreendedor e da Receita Federal.
Com o resultado, Juiz de Fora aparece como a quarta cidade de Minas Gerais com maior número absoluto de MEIs, atrás somente de Belo Horizonte, Uberlândia e Contagem.
Mais do que o número total, chama atenção a proporção de microempreendedores em relação à população. Juiz de Fora possui 104,78 MEIs para cada mil habitantes, enquanto a média de Minas Gerais é de 86,6.
Considerando a população estimada de 567.730 habitantes utilizada pelo levantamento, o número de MEIs corresponde a aproximadamente 10,48% da população da cidade.
Serviços concentram seis em cada dez MEIs de Juiz de Fora
O setor de serviços é o principal responsável pelo avanço do empreendedorismo formal no município e concentra 60,4% dos MEIs.
O comércio aparece na segunda posição, com 18,3%. Juntos, comércio e serviços representam quase 79% dos microempreendedores formalizados em Juiz de Fora. Na sequência aparecem construção civil, com 10,6%, indústria, com 10,4%, e agropecuária, com 0,3%.
Para o economista da Fecomércio MG Henrique Braga, os números demonstram a força do empreendedorismo local.
“Juiz de Fora demonstra uma força empreendedora notável, com uma densidade de MEIs que supera significativamente a média do estado. Isso reflete não apenas o dinamismo econômico local, mas uma característica cultural da região em buscar alternativas de renda através do negócio próprio”, avalia.
Internet ganha espaço entre pequenos empreendedores
O levantamento também permite traçar um perfil dos MEIs juiz-foranos. Os homens representam 54,11% dos registros, com 32.186 empreendedores, enquanto as mulheres correspondem a 45,89%, ou 27.300.
A faixa etária entre 31 e 40 anos concentra a maior parcela dos registros, com 28,58%, seguida pelo grupo de 41 a 50 anos, com 23,88%. No total, pessoas entre 21 e 50 anos representam 72,66% dos MEIs da cidade.
Os estabelecimentos físicos ainda são a principal forma de atuação, utilizados por 30,16% dos empreendedores. Entretanto, outros modelos ganham espaço: 23,23% trabalham de maneira itinerante, enquanto 22,5% utilizam a internet como canal de atuação.
O resultado reforça a presença crescente do comércio eletrônico e dos negócios digitais entre os pequenos empreendedores de Juiz de Fora.
Crescimento também traz desafios
Apesar do recorde, o estudo da Fecomércio MG aponta desafios para a sustentabilidade desses pequenos negócios. Entre eles estão a inadimplência nas contribuições previdenciárias, a necessidade de capacitação e a ampliação do acesso ao crédito e à inovação.
Para Henrique Braga, o crescimento no número de registros precisa ser acompanhado por políticas capazes de ajudar esses empreendimentos a permanecerem ativos.
“O fortalecimento do MEI passa, invariavelmente, pela educação empreendedora. Quanto maior o acesso à informação sobre gestão financeira e inovação, maiores são as chances de crescimento desses negócios, de geração de empregos formais e de desenvolvimento econômico regional sustentável”, conclui.
Com quase 60 mil microempreendedores formalizados e uma densidade acima da média mineira, Juiz de Fora consolida o trabalho por conta própria e os pequenos negócios como uma parcela cada vez mais relevante de sua economia.


