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15/07/2026
Maria Angélica
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Governo aumenta percentual de etanol na gasolina e muda composição do combustível

Medida aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética busca reduzir a dependência de gasolina importada, ampliar o uso de biocombustíveis e pode entrar em vigor a partir de agosto.
Governo aumenta percentual de etanol na gasolina e muda composição do combustível
Foto: Reprodução/Agência Brasil

A composição da gasolina vendida nos postos brasileiros passará por uma nova alteração nos próximos meses. O governo federal decidiu elevar de 30% para 32% a quantidade obrigatória de etanol anidro misturada ao combustível, medida que terá validade inicial de 180 dias. A decisão foi tomada nesta terça-feira (14) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e integra a estratégia para ampliar o uso de biocombustíveis produzidos no país diante das oscilações do mercado internacional de petróleo.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a mudança pretende reduzir a necessidade de importação de gasolina e aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira. A expectativa é que, com a nova mistura, o país deixe de importar aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano, fortalecendo o abastecimento interno.

Governo aposta em biocombustíveis para reduzir dependência externa

A decisão ocorre em um momento de alta volatilidade no mercado internacional de combustíveis, influenciado por conflitos geopolíticos e pela elevação dos preços do petróleo. Nesse cenário, o governo avalia que ampliar o uso de etanol nacional pode aumentar a segurança do abastecimento e diminuir os impactos das variações externas sobre o mercado brasileiro.

Antes da aprovação, a nova mistura passou por avaliações técnicas conduzidas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes analisaram o desempenho do combustível em veículos leves e motocicletas, incluindo modelos equipados com motores movidos exclusivamente a gasolina. De acordo com o ministério, os resultados indicaram que a utilização da mistura com 32% de etanol não comprometeu o funcionamento dos veículos nem provocou alterações significativas no consumo.

Mesmo com a autorização para o E32, o governo informou que continuará realizando estudos para avaliar misturas com percentuais ainda maiores de etanol, incluindo a possibilidade de elevar futuramente a concentração para 35%. As análises deverão considerar os efeitos do combustível sobre a durabilidade de componentes mecânicos e o desempenho dos veículos em longo prazo.

Setor automotivo questiona mudança na mistura

Apesar de o governo afirmar que os testes técnicos demonstraram a viabilidade da nova composição, representantes da indústria automotiva manifestaram preocupação com a adoção do E32.

Em nota à imprensa, entidades do setor afirmaram que ainda não existem estudos específicos e conclusivos que comprovem a segurança da mistura obrigatória de 32% de etanol para toda a frota brasileira. Segundo o posicionamento, os ensaios que embasaram a adoção do E30 não seriam suficientes para validar tecnicamente o aumento para o E32, principalmente em relação à durabilidade dos componentes, às emissões e ao desempenho dos veículos no longo prazo.

As entidades também defendem que modelos mais antigos ou importados, projetados para operar com menores concentrações de etanol, podem exigir avaliações complementares antes da ampliação definitiva da mistura. Enquanto isso, o Ministério de Minas e Energia sustenta que os testes realizados não identificaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos avaliados.

Presidente da Câmara destaca segurança para a produção nacional

A decisão também recebeu apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que afirmou que o aumento da mistura de etanol contribui para ampliar a estabilidade do setor energético brasileiro diante das incertezas do cenário internacional.

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar destacou que a medida é resultado do diálogo mantido nos últimos dias com integrantes da equipe econômica e do Ministério de Minas e Energia. Segundo ele, ampliar a participação do etanol nacional fortalece a produção interna e ajuda a reduzir a dependência de combustíveis importados.

Na mesma reunião em que aprovou o aumento do teor de etanol na gasolina, o CNPE também adotou novas diretrizes para o mercado de biodiesel e reforçou medidas voltadas ao combate à adulteração de combustíveis, com previsão de ampliar os mecanismos de fiscalização e rastreabilidade em toda a cadeia de comercialização.

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