Uma mulher de 59 anos foi encontrada morta na tarde de domingo (28/06) em um centro de Umbanda localizado na Rua José Lourenço, no bairro Moradas do Serro, em Juiz de Fora.
A Polícia Militar foi acionada após uma equipe do Samu constatar o óbito da vítima. Segundo o boletim de ocorrência, o responsável pelo terreiro, um homem de 77 anos, informou que havia acolhido a mulher há cerca de dois meses, a pedido de um integrante da instituição religiosa.
De acordo com o relato, no domingo ele encontrou a vítima caída no chão do quarto onde estava hospedada, com uma faca entre as mãos.
Samu identificou quatro perfurações no tórax
Durante o atendimento, o médico do Samu constatou que a mulher apresentava quatro perfurações na região do tórax provocadas por faca.
Conforme o registro policial, testemunhas relataram que a vítima enfrentava um quadro de depressão e realizava tratamento para problemas de saúde mental.
Uma segunda testemunha informou à Polícia Militar que, um dia antes da morte, a mulher havia procurado abrigo em outro local alegando que não estava tendo sossego no terreiro. Segundo esse relato, ela afirmou que passava fome e que, em ocasiões anteriores, teria sido impedida de deixar o imóvel.
Em documento, mulher morta relatava medo e pressão psicológica
Durante os trabalhos periciais, foi apreendido um formulário de atendimento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
Segundo o documento, a vítima relatava sofrer pressão para interromper o tratamento contra ansiedade, depressão e transtorno bipolar. O formulário apontava ainda que ela dizia ter medo do responsável pelo terreiro e mencionava possíveis situações de violência psicológica e patrimonial.
Ainda conforme o registro, a mulher relatava que era constantemente solicitada a entregar dinheiro e que, por medo, acabava cedendo aos pedidos.
O celular do responsável pelo terreiro também foi apreendido para auxiliar nas investigações.
Perícia não apontou indícios imediatos de homicídio
A perícia técnica esteve no local e informou que, em uma análise preliminar, não foram encontrados elementos suficientes para concluir que a morte tenha sido resultado de um homicídio.
A dinâmica dos fatos e a causa da morte dependerão dos exames complementares realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) e do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
O corpo da vítima foi encaminhado para exames que deverão esclarecer as circunstâncias da morte.
Polícia também registrou maus-tratos a animais
Durante a perícia, foram identificadas situações de maus-tratos a animais no imóvel.
Segundo a ocorrência, galos estavam mantidos em pequenas gaiolas, em condições inadequadas, sem acesso à água e alimentação. Os policiais também encontraram uma galinha morta na entrada do terreiro.
Os animais receberam alimentação e permaneceram sob a responsabilidade do proprietário do local.
Em nota, a Polícia Civil informou que foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelo crime de maus-tratos a animais. O homem foi ouvido e liberado.
O caso será investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Juiz de Fora, que apura as circunstâncias da morte da mulher.



