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20/06/2026
Maria Angélica
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Mortes no trânsito ligadas ao álcool cresceram no Brasil após 2019

Levantamento divulgado no Dia Nacional da Lei Seca aponta que os óbitos voltaram a subir a partir de 2020, embora o país registre redução de 19,5% em comparação com 2010.
Mortes no trânsito ligadas ao álcool cresceram no Brasil após 2019
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As mortes no trânsito relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas voltaram a crescer no Brasil nos últimos anos, interrompendo uma sequência de reduções observada até 2019. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (19), Dia Nacional da Lei Seca, pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), referência nacional em estudos sobre o tema, e mostram que, apesar da alta recente, o país ainda registra menos óbitos desse tipo de ocorrência do que há 14 anos.

De acordo com o levantamento, cerca de 15 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito associados ao consumo de álcool em 2010. Em 2024, o número foi de 13.075 mortes, o que representa uma redução de 19,5% no período. Apesar da queda no recorte de 14 anos, os dados mostram que a trajetória de redução perdeu força nos últimos anos.

Mortes voltaram a crescer após anos de queda

Segundo o estudo, as taxas de mortalidade relacionadas ao consumo de álcool no trânsito apresentaram quedas sucessivas até 2019, quando foram registradas 11.261 mortes. A partir de então, os indicadores voltaram a crescer. Em 2020, foram contabilizados cerca de 11,6 mil óbitos, número que subiu para 12.004 em 2021, teve leve recuo para 11.961 em 2022 e voltou a avançar nos anos seguintes, chegando a 12.310 mortes em 2023 e a 13.075 em 2024.

A análise aponta que a redução acumulada ao longo dos anos está relacionada aos efeitos da Lei Seca, em vigor desde 2008, que endureceu as punições para motoristas flagrados dirigindo após ingerirem bebidas alcoólicas. Embora o país ainda registre menos mortes do que em 2010, os dados indicam que os avanços observados na década anterior perderam ritmo após a pandemia.

Fiscalização e conscientização seguem como desafios

Especialistas apontam que, embora as ações de fiscalização tenham sido ampliadas nos últimos anos, o avanço das tecnologias de comunicação e a maior circulação de informações sobre operações policiais têm dificultado a eficácia do combate à embriaguez ao volante. Além disso, persiste entre parte da população a percepção de que é possível descumprir a legislação sem sofrer punições.

Os dados também mostram que os acidentes envolvendo consumo de álcool continuam apresentando elevada letalidade. Homens jovens seguem como o grupo mais afetado por essas ocorrências, que se concentram principalmente nos fins de semana e durante a madrugada.

Diante desse cenário, especialistas defendem a combinação de fiscalização, campanhas educativas e ampliação de alternativas de transporte para reduzir os casos de embriaguez ao volante e evitar novas mortes nas rodovias e vias urbanas brasileiras.

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