A implantação da Central de Operações para Regulação Estadual (CORE), novo sistema do Governo de Minas Gerais para gerenciamento de vagas hospitalares, tem provocado reclamações em diferentes regiões do estado e já gera reflexos em Juiz de Fora.
A ferramenta substituiu o antigo SUS Fácil e passou a concentrar a regulação de leitos hospitalares em Minas Gerais. Na prática, o sistema é responsável por identificar vagas disponíveis e definir para qual hospital pacientes deverão ser encaminhados em situações de urgência, emergência ou transferência entre unidades de saúde.
Em Juiz de Fora, a Prefeitura afirma que a mudança contribuiu para uma sobrecarga ainda maior em unidades que já operam sob forte pressão, especialmente o Hospital de Pronto Socorro (HPS) Dr. Mozart Teixeira e a Unidade Regional Leste.
Segundo nota divulgada pelo município nesta semana, ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passaram a ser orientadas a encaminhar pacientes para essas unidades hospitalares, mesmo em situações que, segundo a avaliação da Prefeitura, poderiam ser absorvidas por outros serviços da rede, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
A consequência, de acordo com a administração municipal, foi o aumento da demanda em hospitais que já enfrentam dificuldades relacionadas à alta ocupação.
Problemas também são relatados em outras cidades
As reclamações não se restringem a Juiz de Fora. Segundo informações divulgadas pelo jornal O Fator, a Prefeitura de Belo Horizonte e a Santa Casa de Belo Horizonte também registraram dificuldades relacionadas ao funcionamento do novo sistema de regulação.
A Associação Mineira de Municípios (AMM) também se manifestou sobre o tema. Em comunicado oficial, a entidade informou ter recebido relatos de diversos municípios apontando problemas como lentidão no sistema, dificuldades operacionais e falhas no suporte técnico oferecido aos usuários.
Diante das reclamações, a associação encaminhou um ofício ao Governo de Minas solicitando informações atualizadas sobre o funcionamento da CORE e as medidas adotadas para corrigir os problemas relatados.
Caso chegou à Justiça
As dificuldades enfrentadas por municípios e unidades de saúde também motivaram questionamentos na Justiça. Foram protocolados pedidos judiciais para suspensão da CORE e retomada do SUS Fácil, sistema que era utilizado anteriormente para a regulação hospitalar no estado.
As ações questionam os impactos da transição e alegam que as falhas operacionais podem comprometer o acesso dos pacientes aos serviços de saúde.
Governo de Minas afirma que problemas foram corrigidos
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais reconheceu que houve dificuldades pontuais no início da operação da CORE.
Segundo a pasta, os problemas identificados foram solucionados imediatamente e seguem sendo monitorados de forma contínua pelas equipes técnicas responsáveis pela operação do sistema.
O Governo de Minas também afirmou que a nova plataforma foi desenvolvida para tornar o processo de regulação hospitalar mais ágil, transparente e eficiente, permitindo melhor aproveitamento da rede de saúde em todo o estado.
Sobre os questionamentos judiciais, a Secretaria informou que a Advocacia-Geral do Estado (AGE-MG) irá se manifestar nos processos.