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27/05/2026
Maria Angélica
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Brasil entra pela primeira vez em faixa de desenvolvimento humano “muito alto”, aponta Pnud

Novo levantamento mostra avanço nos indicadores de educação, saúde e renda ao longo dos últimos 13 anos
Brasil entra pela primeira vez em faixa de desenvolvimento humano “muito alto”, aponta Pnud
Foto: Divulgação

O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, o grupo de países com índice de desenvolvimento humano considerado “muito alto”, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O novo levantamento aponta que o país alcançou índice de 0,805 em 2024, ultrapassando a marca mínima de 0,800 utilizada internacionalmente para classificar os níveis mais elevados de desenvolvimento humano.

Os dados fazem parte do Radar IDHM, estudo que acompanha indicadores ligados à educação, saúde e renda da população brasileira. A pesquisa analisa a evolução social do país entre 2012 e 2024 e também considera diferenças de raça e gênero na composição dos resultados.

De acordo com o levantamento, o Brasil registrou crescimento consistente no período analisado. Em 2012, o índice nacional era de 0,744, classificado na faixa de “alto desenvolvimento humano”. Trinta anos atrás, quando os primeiros cálculos começaram a ser realizados, o país ainda aparecia em um patamar considerado baixo.

Educação impulsionou crescimento do índice

Entre os fatores que mais contribuíram para o avanço brasileiro está a educação. O indicador ligado ao acesso e permanência escolar apresentou a maior evolução no período, aproximando-se da faixa de desenvolvimento muito alto.

Especialistas ligados ao estudo apontam que políticas públicas voltadas à permanência de crianças e adolescentes na escola ajudaram a melhorar os resultados educacionais, principalmente entre famílias de menor renda. O levantamento também identifica crescimento mais significativo entre a população negra nos últimos anos, especialmente nos indicadores relacionados ao ensino.

Já os dados ligados à saúde seguem entre os mais altos do país, impulsionados principalmente pela estrutura pública de atendimento consolidada nas últimas décadas. Apesar disso, pesquisadores alertam que os impactos da pandemia de covid-19 ainda afetam indicadores como expectativa de vida e mortalidade infantil.

Na área de renda, o crescimento ocorreu de forma mais lenta ao longo dos últimos anos, mantendo desigualdades consideradas históricas entre regiões e grupos sociais.

Regiões metropolitanas ajudam a elevar média nacional

O estudo também mostra que regiões metropolitanas tiveram papel importante na elevação do índice brasileiro. Capitais e grandes centros urbanos do Nordeste aparecem, pela primeira vez, em faixas consideradas de desenvolvimento muito alto, cenário que antes se concentrava principalmente em estados do Sul e Sudeste.

Entre os destaques estão regiões metropolitanas como Natal, Recife, Salvador, São Luís e Grande Teresina, que alcançaram indicadores acima da média nacional histórica.

Os resultados do Radar IDHM foram elaborados a partir de dados da Pnad Contínua, pesquisa realizada pelo IBGE em parceria com pesquisadores da Fundação João Pinheiro e equipes técnicas do Pnud Brasil.

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