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Câmara aprova reajuste no ticket-alimentação e derruba vetos da prefeita Margarida

Prefeitura deve judicializar parte das mudanças aprovadas pelos vereadores; bastidores apontam disputa política entre Câmara e governo
PL propõe converter multas de trânsito em doação de sangue em Juiz de Fora Câmara Municipal ticket-alimentação
Imagem: Divulgação/CMJF

A Câmara Municipal de Juiz de Fora aprovou, em sessão extraordinária, o reajuste no ticket-alimentação dos servidores municipais conforme o texto enviado pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF).

Com isso, o benefício passa a ser de R$ 600 para trabalhadores que recebem até R$ 5.293,91 e de R$ 300 para os servidores acima desse valor. Segundo a própria administração municipal, o impacto financeiro estimado é de R$ 8.498.688,60.

Além da aprovação do ticket, a Câmara também derrubou vetos da prefeita Margarida Salomão relacionados ao projeto de reajuste salarial aprovado na semana passada.

Entre os pontos retomados pelos vereadores estão o reajuste extra de 5% para profissionais da saúde, além de adicionais de risco e gratificações incluídas pelos parlamentares durante a tramitação do projeto.

Prefeitura deve ir à Justiça contra trechos aprovados

Apesar da derrubada dos vetos, a tendência é que a prefeita não sancione esses dispositivos aprovados pela Câmara.

A expectativa é de que os trechos sejam promulgados diretamente pelo Legislativo e, posteriormente, contestados judicialmente pela PJF.

Nos bastidores, o entendimento do Executivo é de que a Câmara não poderia criar despesas sem apresentar estudo de impacto financeiro e sem indicar a origem dos recursos, o que poderia ferir regras fiscais e constitucionais.

Bastidores revelam duas leituras políticas sobre a votação

A votação gerou interpretações diferentes nos bastidores da política juiz-forana.

Uma ala mais próxima do governo avalia que a Prefeitura conseguiu chegar a um consenso possível, especialmente ao resolver o impasse envolvendo o ticket-alimentação.

Segundo essa leitura, a gestão evitou pressionar os vereadores pela manutenção dos vetos justamente para não ampliar o desgaste dos parlamentares com os servidores municipais.

A avaliação é de que seria politicamente difícil para os vereadores derrubarem benefícios que eles próprios haviam incluído e aprovado anteriormente.

Outra ala vê primeira grande derrota de Margarida em 5 anos

Já uma segunda corrente política interpreta a sessão como a primeira grande derrota da gestão Margarida Salomão na Câmara Municipal em cinco anos de governo.

Segundo apuração do Folha JF, houve reuniões entre a prefeita e vereadores antes da sessão para discutir a manutenção dos vetos.

Mesmo assim, parlamentares teriam sinalizado previamente que não sustentariam os vetos do Executivo.

Para esse grupo, a votação mostrou força política da Câmara e ampliou o desgaste do governo junto ao funcionalismo público.

Nos bastidores, a leitura é que o episódio pode alterar a relação entre Executivo e Legislativo nos próximos meses, especialmente em votações consideradas sensíveis para a administração municipal.

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