Moradores atingidos pelas chuvas de fevereiro lotaram, nesta terça-feira (23), o Salão do Tribunal do Júri do Fórum Benjamim Colucci, em Juiz de Fora, durante uma audiência pública promovida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O encontro reuniu vítimas do desastre, representantes do poder público e integrantes de instituições de Justiça para discutir os avanços e as dificuldades enfrentadas na reconstrução da cidade, quatro meses após a tragédia que deixou 66 mortos e mais de 8,5 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas.
Ao longo da manhã, moradores de bairros como Vila Olavo Costa, Linhares e Parque Burnier relataram a insegurança de quem ainda convive com imóveis interditados, incertezas sobre programas habitacionais e a falta de informações sobre intervenções em áreas de risco. Muitos afirmaram que, apesar das medidas anunciadas desde fevereiro, ainda não conseguem visualizar soluções concretas para os problemas enfrentados no dia a dia.
Moradores relatam incertezas e demora na reconstrução
Entre as principais demandas apresentadas durante a audiência estiveram os questionamentos sobre os critérios do programa Compra Assistida, o acesso ao Auxílio Reconstrução e a situação de famílias que precisaram deixar suas casas, mas acabaram retornando a imóveis interditados por não terem outra alternativa de moradia.
Também foram levantadas preocupações relacionadas à recuperação da infraestrutura urbana. Entre elas está a reconstrução de vias que permanecem comprometidas desde as chuvas, como a Estrada Engenheiro Gentil Forn, importante ligação entre a região central e a Cidade Alta.
Os relatos apresentados pelos moradores serão encaminhados aos órgãos competentes pelo TJMG, com o objetivo de subsidiar ações voltadas à recuperação das áreas afetadas e à formulação de políticas públicas de prevenção e resposta a desastres.
Prefeitura prevê entrega de moradias até o fim do ano
Representantes da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) participaram da audiência e apresentaram um balanço das ações realizadas desde a tragédia. Segundo a Administração Municipal, as famílias contempladas pelo programa Compra Assistida deverão receber suas novas moradias até dezembro.
De acordo com dados apresentados pela Defesa Civil, o município já garantiu cerca de R$ 800 milhões em recursos destinados às ações de reconstrução. Desse total, R$ 605 milhões serão aplicados no programa habitacional, que prevê a entrega de 3.026 moradias. Outros R$ 28 milhões foram destinados à demolição de imóveis localizados em áreas de risco, enquanto R$ 150 milhões serão empregados na recuperação de vias e da infraestrutura urbana.
Além desses recursos, a cidade também recebeu verbas para ações humanitárias e aguarda novos investimentos federais para obras de macrodrenagem e contenção de encostas.
Projetos de contenção seguem em elaboração
Durante a audiência, representantes municipais informaram que projetos de recuperação e contenção de encostas estão em elaboração para diferentes regiões da cidade, entre elas Bom Clima, Cerâmica, Curva da Miséria, Eldorado, Esplanada, Gentil Forn, Jardim Natal, Nossa Senhora de Lourdes, Olavo Costa, Parque Burnier, Santa Rita e Três Moinhos.
Entre as intervenções consideradas prioritárias está a obra do Morro do Cristo, cujo projeto já foi concluído e depende da captação de recursos junto ao Ministério das Cidades.
A audiência pública foi marcada por cobranças e manifestações de moradores que, quatro meses após uma das maiores tragédias da história recente de Juiz de Fora, ainda aguardam respostas definitivas sobre moradia, segurança e a reconstrução das áreas atingidas pelas chuvas.



