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19/10/2025
Matheus Brum
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Quando Dom Pedro II dormiu em Juiz de Fora: a visita imperial que marcou a história da cidade

Em 1861, o imperador do Brasil passou cinco dias na então Cidade do Paraibuna — hospedado no palacete de Mariano Procópio, um dos fundadores de Juiz de Fora
Dom Pedro II ficou hospedado no palacete de Mariano Procópio Ferreira Lage, em visita realizada em 1861
Em 1861, Dom Pedro II ficou hospedado no palacete de Mariano Procópio Ferreira Lage durante visita à então Cidade do Paraibuna (Foto: R. H. Klumb / Acervo da Fundação Museu Mariano Procópio)

Em junho de 1861, Juiz de Fora — ou melhor, a então Cidade do Paraibuna, recém-emancipada — viveu dias de puro esplendor. Ruas enfeitadas, jardins iluminados, banquetes e música. O motivo? A visita do homem mais poderoso do Brasil: Dom Pedro II, o imperador.

Durante cinco dias, a cidade se transformou para receber Sua Majestade Imperial e toda a comitiva. E quem organizou essa recepção digna de corte real foi Mariano Procópio Ferreira Lage, um dos fundadores de Juiz de Fora e amigo pessoal de Dom Pedro II. Sua Majestade Imperial ficou no imponente palacete de Mariano Procópio Ferreira Lage, onde hoje é o Museu Mariano Procópio.

A visita imperial ficou marcada como um símbolo de prestígio e poder para o anfitrião — e de orgulho para a cidade que nascia.

Uma disputa de poder e prestígio

A presença de Dom Pedro II em Paraibuna não foi apenas um gesto de cortesia. Na época, Mariano Procópio e Henrique Guilherme Fernando Halfeld, dois dos principais nomes ligados à fundação da cidade, disputavam influência política e econômica.

Para Mariano, receber o imperador era um trunfo.A vinda do imperador significava poder e imponência. Ter o imperador aqui era uma forma de reafirmar o poder e as ligações que tinha com o governo central. A visita colocou o nome de Mariano Procópio definitivamente entre as figuras mais importantes de Minas Gerais no período imperial.

O progresso como bandeira de Dom Pedro II

Mariano era um entusiasta da modernização — e sabia agradar o imperador com o que ele mais valorizava: infraestrutura. Foi ele quem criou a Companhia União e Indústria, primeira estrada de rodagem macadamizada do Brasil, ligando Juiz de Fora a Petrópolis.

Mais tarde, com a chegada da ferrovia, tornou-se um dos diretores da Companhia Dom Pedro II, cujos trilhos ainda cruzam Juiz de Fora. Essas obras consolidaram a cidade como um importante centro econômico e de ligação entre Minas e o Rio de Janeiro.

O palacete e a memória preservada

O local onde Dom Pedro II se hospedou ainda está de pé — hoje, o Museu Mariano Procópio, um dos mais importantes acervos históricos do país.

Lá, uma placa de bronze recorda os dias em que o imperador dormiu em solo juiz-forano, há mais de 160 anos.

A história, que mistura política, amizade e ambição, foi resgatada pela historiadora Patrícia Genovez, na coluna Dom Pedro II – 200 anos, publicada pelo Museu Mariano Procópio em parceria com o Diário de Minas.

Juiz de Fora e o Império: um elo permanente

Mais do que uma visita, a passagem de Dom Pedro II marcou o início da consolidação de Juiz de Fora como cidade moderna e influente. Hoje, o Museu Mariano Procópio guarda essa e outras memórias do tempo em que a “Cidade do Paraibuna” era parada obrigatória da realeza.

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