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09/06/2026
Maria Angélica
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Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação contra dengue com imunizante do Butantan

Medida tem caráter preventivo e busca aprofundar a investigação de eventos adversos raros registrados após a aplicação da vacina
Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação contra dengue com imunizante do Butantan
Foto: Divulgação

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de um pequeno número de casos com reações adversas graves registrados durante o monitoramento da campanha de imunização. Segundo a pasta, a medida é preventiva e tem como objetivo permitir uma investigação mais detalhada sobre os episódios antes da continuidade da estratégia de vacinação.

A interrupção afeta exclusivamente a vacina produzida pelo Butantan e não altera a aplicação da Qdenga, imunizante fabricado pela farmacêutica Takeda e atualmente utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em diferentes municípios do país.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan já foram aplicadas desde o início da estratégia de imunização, implementada neste ano em cidades selecionadas para avaliar o impacto da vacina na circulação da doença.

Investigação busca esclarecer casos raros

A decisão foi recomendada por órgãos técnicos responsáveis pelo acompanhamento da segurança dos imunizantes após a análise de notificações registradas pelo sistema nacional de farmacovigilância.

Entre os vacinados, cerca de 3,7 mil pessoas apresentaram sintomas compatíveis com dengue após a aplicação da dose. Dentro desse universo, 42 casos evoluíram com sinais considerados de alerta, como dores abdominais intensas, vômitos persistentes e episódios de sangramento. Três pessoas precisaram ser hospitalizadas e duas morreram.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que ainda não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina. Segundo ele, a suspensão permitirá que especialistas analisem fatores como histórico clínico, doenças preexistentes, possíveis condições de risco e outras hipóteses que possam explicar os episódios registrados.

A investigação será conduzida em parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan.

Vacinados continuam protegidos, diz Ministério

O governo federal destaca que a suspensão não significa que a eficácia do imunizante esteja comprometida. A orientação é que as pessoas que já receberam a vacina mantenham a tranquilidade e fiquem atentas apenas a eventuais sintomas mais intensos nas semanas seguintes à imunização.

Como medida adicional de segurança, o Ministério da Saúde informou que fará um acompanhamento mais próximo dos vacinados recentemente. A recomendação é procurar atendimento médico caso ocorram sinais como febre persistente, dores abdominais fortes, vômitos frequentes, sangramentos ou piora do estado geral de saúde.

O Instituto Butantan também se manifestou sobre a decisão e informou que apoia a interrupção temporária da vacinação enquanto os dados são reavaliados. A instituição destacou que continuará colaborando com as investigações para esclarecer os casos e avaliar os próximos passos da estratégia de imunização.

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