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27/06/2025
Matheus Brum
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Tarifa Zero em Juiz de Fora: Como será pago e problemas enfrentados no projeto

Custo estimado do sistema é de R$ 360 milhões por ano. Proposta gerou crise entre prefeita Margarida Salomão e o vice Marcelo Detoni
prefeita Margarida Salomão quer instituir tarifa zero no transporte coletivo de Juiz de Fora
Prefeita Margarida Salomão quer instituir tarifa zero no transporte coletivo de Juiz de Fora (Foto: Divulgação / PJF)

A Prefeitura de Juiz de Fora apresentou ao Legislativo um projeto de lei que pretende viabilizar a chamada “tarifa zero” no transporte coletivo da cidade, ou seja, gratuidade total para os usuários. O custo total do sistema, de acordo com a proposta, é de R$ 360 milhões ao ano. Para bancar esse valor, a PJF quer instituir uma “tarifa técnica” mensal a ser paga por empresas com mais de dez funcionários.

Segundo o projeto, a cobrança será de R$ 250 por trabalhador, valor que substituiria o atual gasto com vale-transporte. Assim, uma empresa com 10 funcionários pagaria R$ 2.500 por mês, enquanto uma com 7 mil empregados desembolsaria R$ 1,75 milhão mensalmente. A proposta, no entanto, vem sendo alvo de críticas e dividiu até mesmo a cúpula do governo municipal.

A prefeita Margarida Salomão sustenta que o modelo desonera os trabalhadores, já que eles deixarão de ter o desconto do vale-transporte em folha, aumentando, na prática, o seu salário. Em contrapartida, o empregador passaria a arcar com um valor fixo de R$ 250 por colaborador, o que representaria aumento para muitas empresas, principalmente aquelas que já oferecem transporte próprio ou contratam pessoas que não dependem de ônibus.

Tarifa Zero causou atrito entre Margarida e Detoni

Nos bastidores, o projeto da Tarifa Zero provocou um racha entre a prefeita e o vice-prefeito, Marcelo Detoni. De acordo com parlamentares presentes em reunião no Executivo, Detoni reclamou de não ter sido incluído nas discussões e demonstrou descontentamento, já que a empresa da qual é sócio seria uma das mais afetadas pela tarifa.

Vereadores temem que conta não feche

Vereadores da base e da oposição ouvidos pelo Folha JF expressaram preocupação com a sustentabilidade do modelo. O temor é que “essa conta não feche”, uma vez que o valor fixado por trabalhador pode não atingir os R$ 360 milhões necessários para manter o sistema. Além disso, entidades de classe já apontaram possível inconstitucionalidade na proposta, que será debatida na Câmara.

Outro ponto de crítica é que o projeto vai na contramão de modelos adotados em outras cidades que implantaram a tarifa zero. O mais comum é que o subsídio ao transporte venha da mudança da forma de remuneração das concessionárias — de pagamento por passageiro para pagamento por quilômetro rodado — e da destinação dos valores que empresas já pagam pelo vale-transporte diretamente para o poder público. O restante seria complementado por subsídios municipais.

O Folha JF procurou a Prefeitura para comentar o desentendimento entre Margarida e Detoni, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O projeto da Tarifa Zero deverá ser analisado pelas comissões da Câmara nas próximas semanas.

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