A situação de superlotação do Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Geraldo Teixeira (HPS), em Juiz de Fora, tem preocupado funcionários e pacientes. Relatos encaminhados ao Folha JF apontam pessoas acomodadas em macas pelos corredores, pacientes permanecendo por períodos prolongados em setores de observação e dificuldades relacionadas à estrutura física da unidade.
Uma profissional de enfermagem, que trabalha há mais de dez anos na área e já atuou em outras unidades da rede pública, descreveu as condições enfrentadas no hospital. Sua identidade será preservada.
“É desumano ver paciente em macas pelos corredores aguardando cirurgia, transferência ou especialista, durante dias, e o problema só se agravando”, relatou.
Procurada pelo Folha JF, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que o hospital registrou um aumento expressivo na demanda entre os dias 19 e 22 de outubro. Segundo a administração municipal, o volume de atendimentos chegou a ficar 53,6% acima da média proporcional estimada nos períodos de maior movimento.
Funcionária relata pacientes internados em setores de observação
De acordo com a profissional, a superlotação tem provocado a permanência de pacientes em áreas destinadas inicialmente à observação clínica.
Ela relatou que, no momento em que descreveu a situação, o setor de observação masculina estava com 28 pacientes, dos quais seis já estavam internados e aguardavam tratamento.
A trabalhadora também afirmou que a observação feminina apresentava lotação elevada, com macas posicionadas nos corredores.
“Esse setor, o certo é paciente ficar de observação por no máximo 24 horas, mas a realidade é que tem pacientes internados lá há muito mais tempo”, afirmou.
Prefeitura aponta aumento de até 53,6% nos atendimentos
Em nota encaminhada ao Folha JF, a Prefeitura de Juiz de Fora reconheceu o aumento da demanda no HPS entre os dias 19 e 22 de outubro.
Segundo a administração municipal, nos plantões diurnos, o volume de atendimentos ficou aproximadamente 36,5% acima da média proporcional estimada, chegando a 53,6% no período de maior movimento.
“Além do aumento da demanda, houve uma mudança no perfil dos pacientes atendidos, com maior proporção de casos classificados como graves, que exigem períodos mais prolongados de internação”, informou a Prefeitura.
O Executivo municipal também destacou que o HPS continua recebendo um número elevado de pacientes encaminhados de outras cidades, por meio de transferências autorizadas pela Central de Regulação Estadual (CORE).
De acordo com a Prefeitura, a combinação do aumento de atendimentos, da maior gravidade dos casos e das transferências de outros municípios elevou a ocupação dos leitos de enfermaria a 95%.
“Diante desse cenário, todas as equipes do HPS atuaram para garantir o acolhimento e a assistência aos pacientes”, afirmou a administração municipal.
A Prefeitura acrescentou que mantém o acompanhamento ininterrupto da situação.