O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm/UFJF) abriu ao público a exposição “Museu de Arte Murilo Mendes – Entre tempos: 20 anos de acervo”, que marca as duas décadas de criação da instituição, celebradas em dezembro de 2025. A mostra reúne obras de arte contemporânea incorporadas ao acervo ao longo dos anos e propõe um olhar sobre o processo de formação do museu, suas escolhas curatoriais e os diálogos construídos com a arte brasileira e internacional.
A exposição apresenta trabalhos de diferentes linguagens, gerações e origens, refletindo o crescimento gradual do acervo e as diretrizes que orientam as aquisições do Mamm. De acordo com a proposta curatorial, a seleção busca evidenciar a coerência conceitual do museu e a forma como as obras dialogam entre si e com a missão institucional de preservação, pesquisa e difusão da arte.
Mamm, Murilo Mendes e a relação com Juiz de Fora
A ligação do Mamm com o poeta Murilo Mendes aparece como um dos eixos centrais da exposição. Parte do acervo do museu tem origem na biblioteca e na coleção de artes plásticas reunidas pelo escritor, o que influencia até hoje a incorporação de novas obras.
Entre os trabalhos apresentados está “Cavaleiro e Mulher” (1954), de Marcelo Grassmann, artista presente na coleção do poeta e cuja obra passou a integrar o acervo do museu recentemente. Outro destaque é um desenho de Nívea Bracher, produzido originalmente para uma exposição realizada em 2011, que integra o conjunto exposto.
A mostra também reserva espaço para artistas ligados a Juiz de Fora, aproximando o museu da história e da paisagem urbana da cidade. Obras de Valéria Faria, Fernanda Cruzik, Fani Bracher e Dnar Rocha ajudam a construir essa relação, incluindo uma pintura que retrata o antigo prédio da Faculdade de Filosofia e Letras, onde funcionou o Centro de Estudos Murilo Mendes.
Diversidade de artistas e linguagens no acervo
O recorte apresentado ao público reúne nomes de diferentes gerações da arte brasileira, como Arlindo Daibert, Carlos Bracher, Flávio Shiró, Leonino Leão, Marco Magalhães, Maurício Bentes e Toz. O conjunto estabelece diálogos entre estilos, períodos e territórios, reforçando a ideia de um acervo em permanente construção.
Também integram a exposição obras de artistas como Manabu Mabe, Maria Lídia Magliani, Renina Katz, Emmanuel Nassar, Hélio Siqueira, Vik Muniz e Heberth Sobral, ampliando o panorama apresentado ao visitante e evidenciando a pluralidade de vozes presentes no museu.
Museu público e gratuito
Criado em 2005 e vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Mamm é um museu universitário, público e gratuito. Ao longo de sua trajetória, tornou-se um dos principais espaços culturais da cidade, com atuação voltada à preservação de acervos, à pesquisa e à realização de exposições temporárias.
A exposição “Entre tempos: 20 anos de acervo” integra a programação comemorativa do museu e pode ser visitada pelo público nos horários regulares de funcionamento do Mamm.
Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Matheus Brum.