Juiz de Fora deu início, nesta quarta-feira (27), às comemorações dos 50 anos do Miss Brasil Gay. Durante coletiva de imprensa realizada na cidade, a organização apresentou as primeiras novidades da 44ª edição do concurso, que acontecerá entre os dias 17 e 23 de agosto de 2026 e promete transformar novamente Juiz de Fora em um dos principais polos do turismo LGBTQIAPN+ do país.
A edição comemorativa terá uma programação ampliada, integrada à Semana LGBTQIAPN+ do município, com desfile das candidatas em espaço aberto ao público, retomada da Parada LGBTQIAPN+ no domingo pela manhã, produção de documentário especial e homenagens às misses que marcaram a história do concurso ao longo das últimas décadas. O Miss Brasil Gay será realizado no dia 22 de agosto, no Terrazzo Centro de Eventos.
Segundo os organizadores, a proposta é transformar a edição de 50 anos em uma celebração que vá além do tradicional concurso transformista, envolvendo toda a cidade e reforçando o papel histórico de Juiz de Fora como referência nacional em diversidade, cultura e acolhimento.
Uma edição histórica para Juiz de Fora
A programação da semana terá início no dia 17 de agosto e seguirá até o domingo (23). Entre as atividades já confirmadas está a apresentação oficial das candidatas ao público, marcada para o dia 21 de agosto, na Praça Tarcísio Delgado.
Já no sábado (22), acontece o concurso principal no Terrazzo. O encerramento da semana será no domingo (23), com a realização da Parada LGBTQIAPN+, que terá concentração no Parque Halfeld e seguirá pela Avenida Itamar Franco até a Praça da Estação.
A organização também confirmou que busca trazer uma atração nacional para a Parada e destacou que o tema deste ano será “50 anos resistindo, 2026 decidindo”, em referência ao contexto político e eleitoral do país.
Durante a coletiva, os organizadores afirmaram que a edição está sendo tratada como um marco histórico para a cidade e para a comunidade LGBTQIAPN+ brasileira. A intenção é resgatar momentos emblemáticos do concurso ao longo das últimas cinco décadas, incluindo apresentações inspiradas em shows históricos e a participação de antigas vencedoras.
Entre os nomes já confirmados estão Lizandra Brunelly, Sheila Veríssimo e Raika Bittencourt. Ao todo, de 12 a 14 ex-campeãs devem participar da abertura oficial do evento.
Miss Brasil Gay ajudou a construir a identidade cultural da cidade
Criado em 1976 pelo cabeleireiro Francisco Motta, o Chiquinho Motta, o Miss Brasil Gay surgiu inicialmente como uma ação beneficente ligada à escola de samba Juventude Imperial. Em plena década de 1970, período marcado por conservadorismo e repressão no Brasil, o concurso transformou-se em um espaço de visibilidade, arte e resistência para a população LGBTQIAPN+.
Ao longo dos anos, o evento ultrapassou as fronteiras de Minas Gerais e passou a atrair representantes dos 26 estados e do Distrito Federal, consolidando Juiz de Fora no circuito nacional do turismo de diversidade.
Mais do que um concurso de beleza transformista, o Miss Brasil Gay se tornou parte da identidade cultural da cidade. O evento foi reconhecido como patrimônio imaterial de Juiz de Fora em 2007 e, durante décadas, movimentou hotéis, bares, restaurantes e o comércio local, especialmente no mês de agosto.
A importância econômica desse segmento voltou a ficar evidente em 2025, quando a retomada da Parada LGBTQIAPN+ após dez anos reuniu cerca de 10 mil pessoas no Centro da cidade e injetou aproximadamente R$ 5,5 milhões na economia local, segundo estimativas divulgadas à época.
Organização busca ampliar impacto turístico e econômico
Durante a coletiva, a organização destacou que a edição de 2026 exigirá um investimento ainda maior devido à dimensão da celebração. Segundo os responsáveis pelo evento, o custo estimado do Miss Brasil Gay gira em torno de R$ 500 mil, enquanto a Parada LGBTQIAPN+ deve demandar cerca de R$ 200 mil adicionais.
Os organizadores afirmaram que têm buscado apoio junto à iniciativa privada, parlamentares e instituições públicas para viabilizar a programação completa. A expectativa é que os eventos fortaleçam novamente o turismo e a economia criativa de Juiz de Fora.
Além do concurso e da Parada, um documentário especial sobre os 50 anos do Miss Brasil Gay está em produção. O projeto é conduzido por Thiago Moreira, assistente social, homem trans e coordenador de Políticas Públicas para a População LGBTQIA+ da Prefeitura de Juiz de Fora.
Atual campeã falou sobre a responsabilidade do reinado
A atual Miss Brasil Gay, Jade Hwskaier, vencedora da edição de 2025 representando o Rio de Janeiro, participou da coletiva de forma virtual. Em sua fala, destacou a importância simbólica da edição comemorativa e afirmou que pretende viver intensamente o reinado até a coroação da próxima vencedora.
Jade também ressaltou o significado histórico do concurso para a arte transformista e para a comunidade LGBTQIAPN+, além de parabenizar a organização pelo trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas.
Juiz de Fora tenta retomar protagonismo no turismo LGBTQIAPN+
A realização da edição de 50 anos acontece em um momento em que Juiz de Fora busca retomar espaço como um dos principais destinos brasileiros ligados ao turismo de diversidade.
Com a volta da Parada LGBTQIAPN+ em 2025, o fortalecimento do Rainbow Fest e a ampliação das atividades em torno do Miss Brasil Gay, a cidade voltou a movimentar milhares de turistas durante o mês de agosto.
A expectativa da organização é que a edição histórica de 2026 ajude não apenas a celebrar o passado do concurso, mas também a projetar Juiz de Fora nacionalmente nos próximos anos, reforçando a imagem da cidade como espaço de pluralidade, acolhimento e expressão cultural.