O Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ) anunciou novas restrições em sua capacidade de atendimento a partir da meia-noite desta quarta-feira (7), alegando atrasos em repasses financeiros. Entre as medidas estão a suspensão da entrada de novos pacientes na hemodiálise, pedidos de transferência de pacientes internados em UTIs e a interrupção do recebimento de pacientes encaminhados como retaguarda por UPAs e outros hospitais.
Os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, por enquanto. Em resposta ao Folha JF, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) afirmou que tomou conhecimento da nova comunicação nas últimas horas da tarde desta terça-feira (6) e ressaltou que, até o momento, a situação “não gerou consequências práticas para o atendimento”.
A nova comunicação amplia uma crise que já havia levado o hospital a informar anteriormente a suspensão das atividades eletivas da unidade. Segundo o documento encaminhado à prefeita Margarida Salomão e ao secretário municipal de Saúde, Jonathan Ferreira Tomaz, os repasses não foram regularizados e a instituição afirma não ter mais condições de manter o volume de assistência contratado.
O que muda a partir desta quarta-feira?
No documento, o HMTJ estabelece quatro medidas. A primeira é a manutenção, por enquanto, dos atendimentos de urgência e emergência.
Na hemodiálise, pacientes que já fazem tratamento continuarão sendo atendidos, mas o serviço não receberá novos pacientes.
Já os pacientes atualmente internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) serão inseridos no sistema de Regulação, com solicitação de transferência para outros hospitais. Enquanto uma vaga não for disponibilizada e a transferência efetivamente realizada, eles continuarão sendo assistidos pelo Therezinha de Jesus.
O hospital também informou que deixará de receber pacientes como retaguarda das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e de outros hospitais da rede.
Segundo a instituição, as medidas são temporárias e serão revistas caso os repasses sejam regularizados.
Maternidade aponta R$ 16,4 milhões em aberto
A Maternidade afirma que os valores em aberto somavam R$ 16.478.118,74 em 1º de outubro.
Dentro desse montante, o hospital destaca R$ 2.257.166,28 referentes a incentivos da Rede de Urgência e Emergência, relacionados aos leitos de retaguarda e UTI das competências de julho e agosto de 2026.
Outros R$ 1.917.081,93 seriam referentes ao FAEC, relacionados à hemodiálise entre março e julho deste ano.
No ofício, a direção afirma que, sem os recursos, não seria possível custear a assistência no volume contratado sem colocar pacientes em risco.
Hospital pede regularização e transferência de pacientes
No documento enviado à Prefeitura, o HMTJ pede a regularização imediata dos repasses.
A instituição solicita ainda que a Central de Regulação, as UPAs e o Samu sejam orientados a direcionar para outros prestadores da rede os pacientes que necessitem de retaguarda hospitalar e os novos pacientes de hemodiálise.
Para os pacientes que já estão nas UTIs, o hospital pede que a Regulação disponibilize vagas em outras instituições para as transferências.
O HMTJ faz ainda um alerta sobre a manutenção da própria urgência e emergência. Segundo o documento, a continuidade desses atendimentos também depende da regularização dos repasses e poderá ficar comprometida caso a situação financeira persista.
O hospital informou que encaminhará cópia do ofício ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), para inclusão em procedimento administrativo que já tramita no órgão, e ao Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG).
Prefeitura diz que situação ainda não afetou atendimento
Procurada pelo Folha JF, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que recebeu a comunicação do hospital nas últimas horas da tarde desta terça-feira.
“A Prefeitura de Juiz de Fora tomou conhecimento da comunicação do prestador nas últimas horas da tarde. A Administração Municipal informa que mantém abertos os canais de diálogo e que, ao longo da semana, serão realizadas outras reuniões institucionais para o encaminhamento da situação, que, até o momento, não gerou consequências práticas para o atendimento.”