Juiz de Fora vive o fevereiro mais chuvoso da história. Com 584 milímetros acumulados, a cidade entrou oficialmente em estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24).
O decreto foi assinado pela prefeita Margarida Salomão após uma sequência de chuvas intensas e persistentes que começaram na noite do dia 22.
“Estamos aqui no nosso gabinete nessa madrugada do dia 24 de fevereiro, considerando a gravíssima situação que a cidade experimenta com a precipitação de chuvas intensas e persistentes que levam a que, neste momento, tenhamos 584 mm de chuva acumulados, o que faz de fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.”
20 soterramentos e bairros ilhados
Segundo a Prefeita, há registro de 20 soterramentos, principalmente na região Sudeste.
“Isso trouxe diversos transtornos, incluindo situações graves de soterramentos; no momento, temos registrados 20 soterramentos, especialmente na região Sudeste.”
A situação é considerada histórica. O Rio Paraibuna saiu da calha, córregos transbordaram e diversos bairros ficaram isolados.
“Quem tentou circular pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados, o Rio Paraibuna saiu da calha — o que é um fato histórico — e os córregos estão transbordando.”
14 mortes confirmadas
Na manhã desta terça-feira, a Prefeitura confirmou 14 mortes em decorrência de deslizamentos e desmoronamentos.
As vítimas foram registradas em:
- 4 no bairro JK
- 4 no bairro Santa Rita
- 2 na Vila Ideal
- 1 no Bairro de Lourdes
- 1 na Vila Alpina
- 1 no São Benedito
- 1 na Vila Olavo Costa
Somente entre a noite de segunda e a madrugada de terça, algumas regiões da cidade registraram quase 200 mm de chuva.
O que muda com o decreto de calamidade
O Decreto nº 17.693 declara estado de calamidade pública por tempestade local convectiva – chuvas intensas (COBRADE 1.3.2.1.4), com validade de 180 dias.
A medida permite:
- Captação de recursos estaduais e federais;
- Dispensa de licitação para compras emergenciais;
- Mobilização total dos órgãos municipais;
- Convocação de voluntários;
- Campanhas de arrecadação coordenadas pela Defesa Civil;
- Possibilidade de uso de propriedades particulares em caso de risco iminente;
- Início de processos de desapropriação em áreas de risco extremo.
“Esse decreto permite a captação de recursos federais e estaduais, além de apoio humano e material sob nossa coordenação”, explicou a prefeita.
Aulas suspensas e servidores em home office
Entre as medidas imediatas anunciadas:
- Suspensão das aulas nas escolas municipais;
- Recomendação para redução das atividades na cidade;
- Orientação de cautela ao comércio;
- Determinação para que servidores municipais trabalhem remotamente.
Mais chuva à frente
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantém alerta de perigo para Juiz de Fora até sexta-feira (27), com previsão de novas chuvas intensas, risco de alagamentos e ventos fortes.
A Prefeitura orienta que moradores de áreas de risco deixem suas casas imediatamente e só saiam em casos excepcionais.
Agentes das Defesas Civis Estadual e Nacional estão a caminho da cidade para reforçar os trabalhos.
Cidade em modo emergência
O cenário é de reconstrução e salvamento. Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e equipes municipais seguem mobilizados, com apoio de empresas privadas.
A recomendação é clara:
- Evitar deslocamentos;
- Não atravessar áreas alagadas;
- Respeitar interdições;
- Acionar a Defesa Civil em caso de risco.