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13/10/2026
Matheus Brum
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Lula perde mais apoio nas áreas pobres, mas mantém liderança em todas as faixas de renda de JF

Levantamento cruza votos de 189 locais com a renda do entorno e revela avanço do PL, mudança em 17 pontos e diferenças na disputa pelo Governo
Lula e Flavio disputam 2 turno votação em juiz de fora renda virou virada
Imagem: Redes Sociais.

A vantagem de Lula sobre Flávio no primeiro turno da eleição presidencial de 2026 diminuiu à medida que aumentou a renda média do entorno dos locais de votação em Juiz de Fora. Nos pontos situados nas regiões de menor renda, o petista abriu mais de 12 pontos percentuais. Nas áreas acima de cinco salários mínimos, a diferença caiu para apenas 0,8 ponto.

O levantamento do Folha JF cruzou os resultados de 189 locais de votação com dados de renda do Censo Demográfico de 2022. No resultado geral da cidade, Lula recebeu 49,6% dos votos válidos para presidente, enquanto Flávio teve 41,5%.

Apesar de Lula manter a liderança em todos os grupos de renda, o comparativo com 2022 mostra que sua maior perda ocorreu justamente nos locais mais pobres. Também foram identificados 17 pontos de votação que deram maioria ao petista em 2022, mas passaram a dar vitória a Flávio em 2026.

Diferença cai conforme a renda aumenta

Nos locais com renda média de até dois salários mínimos, Lula recebeu 52% dos votos válidos. Flávio registrou 39,5%, deixando uma diferença de 12,5 pontos percentuais.

Na faixa entre dois e três salários mínimos, Lula teve 48,8%, contra 42,2% de Flávio. Entre três e cinco salários, o resultado foi de 49,8% para Lula e 41,3% para Flávio.

O cenário mais equilibrado apareceu nos locais com renda média superior a cinco salários mínimos. Neles, Lula chegou a 45,7%, enquano Flávio alcançou 44,9%. A diferença foi de apenas 0,8 ponto.

Para a divisão das faixas, foi considerado o salário mínimo de 2022, de R$ 1.212, já que os dados de renda utilizados são provenientes do Censo daquele ano.

Maior queda de Lula ocorreu nos locais mais pobres

Para comparar as eleições de 2022 e 2026, foram considerados 174 locais que mantiveram o mesmo número de identificação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pontos novos, extintos ou renumerados ficaram fora desta etapa da análise.

Nos 20% de locais com menor renda, Lula passou de 58,5% em 2022 para 53,9% em 2026. A redução foi de 4,6 pontos percentuais. No mesmo grupo, o candidato do PL avançou 4,1 pontos em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro quatro anos antes.

Nos 20% de locais mais ricos, Lula ficou praticamente estável. O percentual passou de 46,7% para 46,5%, queda de apenas 0,2 ponto. O PL, por sua vez, avançou dois pontos, saindo de 42,3% com Bolsonaro para 44,3% com Flávio.

Os números mostram que, embora Lula ainda concentre sua maior vantagem nas áreas mais pobres, foi nesse segmento que seu percentual mais recuou entre as duas eleições.

Dezessete locais passaram de Lula para Flávio

Dos 174 locais comparáveis, 17 deram vitória a Lula em 2022 e passaram a registrar maioria para Flávio em 2026. Nenhum ponto de votação realizou o movimento contrário em Juiz de Fora.

Uma das mudanças mais expressivas aconteceu na Univertix, no Cruzeiro do Sul. Em 2022, Lula venceu no local por 49,8% a 40,8%. Em 2026, Flávio ficou à frente por 49,5% a 42,6%.

Na Escola Estadual Clemente Mariani, no Carlos Chagas, Lula havia registrado 50,9%, contra 40,5% de Bolsonaro. Agora, Flávio venceu por 46,6% a 44,9%.

Outra virada ocorreu na Escola Municipal Áurea Bicalho, em Linhares. Lula passou de 50,7% para 45%, enquanto o candidato do PL chegou a 46,3%.

Na Escola Estadual Hermenegildo Vilaça, em Grama, a mudança foi decidida por margem mínima. Lula havia vencido em 2022 por 50,4% a 42,2%. Em 2026, Flávio marcou 46,2%, contra 46,1% do petista.

Para governador, Patrus cresce nas áreas de maior renda

A relação entre renda e voto apresentou um desenho diferente na disputa pelo Governo de Minas.

Nos locais com renda média de até dois salários mínimos, Cleitinho recebeu 44,6% dos votos, enquanto Patrus teve 38,5%. Na faixa entre dois e três salários, Cleitinho também ficou à frente: 43,9% a 37,8%.

A posição se inverteu nas faixas mais altas. Entre três e cinco salários mínimos, Patrus marcou 41,2%, contra 39% de Cleitinho. Acima de cinco salários, Patrus teve 39,7% e Cleitinho, 36,2%.

O resultado mostra que Cleitinho obteve seu melhor desempenho proporcional nas regiões de menor renda, enquanto Patrus avançou nos locais situados em áreas de renda mais elevada.

Brancos e nulos diminuem nas áreas mais ricas

O percentual de votos brancos e nulos para presidente também apresentou uma diferença relevante conforme a renda do entorno.

Nas áreas de até dois salários mínimos, 6,6% dos votos foram brancos ou nulos. A taxa caiu para 5,5% entre dois e três salários, 4% na faixa de três a cinco salários e 2,6% nos locais acima de cinco salários mínimos.

A abstenção, por outro lado, permaneceu relativamente estável entre os grupos. Os percentuais ficaram próximos de 18%, variando entre 17,9% e 18,8%. Isso indica que a renda do entorno teve uma relação mais clara com a anulação do voto do que com o comparecimento às urnas.

Como o levantamento foi feito

O estudo considerou a renda mensal média dos responsáveis pelos domicílios nos setores censitários localizados em um raio de até 500 metros de cada local de votação. A média foi ponderada pelo número de domicílios de cada setor.

Em 23 locais rurais ou situados em áreas com ocupação mais dispersa, foram utilizados os cinco setores censitários mais próximos. Os pontos de votação também foram divididos em cinco grupos de renda com quantidades semelhantes de eleitores.

O levantamento não permite identificar a renda individual de cada pessoa que votou. Os números mostram como votaram as escolas e demais pontos situados em regiões mais pobres ou mais ricas. Um eleitor pode, por exemplo, morar distante do local no qual está cadastrado.

Os dados eleitorais são do TSE e se referem ao primeiro turno de 2022 e de 2026. As informações de renda foram obtidas no Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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