A nomeação de Eduardo Floriano para a Procuradoria-Geral do Município (PGM) ocorre em um dos momentos mais delicados da relação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e os procuradores municipais nos últimos anos.
A troca no comando da Procuradoria foi anunciada nesta semana, após a saída de Marcus Motta, que deixou o cargo alegando questões particulares e foi remanejado para atuar como assessor jurídico da Secretaria de Governo. Para substituí-lo, a prefeita Margarida Salomão escolheu Eduardo Floriano, procurador de carreira que já ocupou cargos estratégicos no governo, como secretário de Transformação Digital e Administrativa, controlador-geral do Município e superintendente do Procon.
Nos bastidores, porém, a mudança acontece em meio a uma crise interna que envolve reivindicações salariais da categoria, disputas administrativas e uma crescente insatisfação de parte dos procuradores.
Disputa começou durante discussão salarial
Segundo apuração do Folha JF, o desgaste entre parte da categoria e a gestão da Procuradoria ganhou força ainda em 2025, quando começaram as discussões sobre a revisão salarial dos servidores municipais.
Na ocasião, procuradores defenderam alterações em verbas que compõem a remuneração da categoria. As propostas chegaram a ser debatidas no ambiente político, em 2026, mas não avançaram na Câmara Municipal e não receberam apoio suficiente para aprovação.
Parte dos procuradores passou a atribuir o insucesso da pauta à falta de articulação política junto ao Executivo municipal. Nos bastidores, havia a expectativa de que a Procuradoria-Geral atuasse como interlocutora entre a categoria e o governo para viabilizar a negociação.
A reivindicação gerou divergências dentro da própria administração, especialmente em razão dos impactos financeiros que eventuais alterações poderiam provocar nas contas públicas. Há procuradores que ganham mais de R$ 30 mil por mês, em virtude dos penduricalhos, fato que pode ser comprovado no Portal da Transparência.
Carta coletiva ampliou pressão
A crise ganhou novo capítulo nesta semana, quando 15 procuradores que ocupavam funções de chefia, supervisão e coordenação dentro da estrutura da PGM entregaram coletivamente seus cargos comissionados. A carta foi entregue ao Executivo nesta segunda (15).
Na carta apresentada ao governo, os procuradores apontaram uma série de insatisfações relacionadas à estrutura administrativa da Procuradoria, à falta de recursos e ao modelo de gestão adotado no órgão.
O movimento aumentou a pressão sobre o comando da Procuradoria e acelerou as discussões sobre mudanças na estrutura interna da instituição.
Em meio à pressão, Margarida dobra a aposta na PGM
A nomeação de Eduardo Floriano também é interpretada como um movimento político da prefeita Margarida Salomão para fortalecer o controle sobre uma área considerada estratégica dentro da administração municipal.
Floriano integra o grupo de maior confiança da prefeita e ocupou funções relevantes ao longo dos últimos cinco anos de governo.
Ao mesmo tempo, a permanência de Marcus Motta na estrutura da Prefeitura, agora como assessor jurídico da Secretaria de Governo, foi vista por interlocutores do Executivo como um gesto de prestígio e uma forma de evitar que sua saída fosse interpretada como uma derrota política.
Próximos capítulos
O novo procurador-geral assume a função diante do desafio de recompor a relação com parte da categoria e administrar uma Procuradoria que vive um período turbulento.
A expectativa é que as discussões sobre estrutura interna, condições de trabalho e reivindicações remuneratórias continuem presentes na pauta dos procuradores, mantendo a tensão entre a categoria e o governo municipal.



