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19/03/2026
Matheus Brum
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Bastidores: Cidinha desiste de candidatura porque fracasso poderia significar fim da gestão Margarida

Saída da disputa eleitoral preserva principal nome do governo em meio à crise e reforça estratégia de reconstrução de Juiz de Fora
Cidinha Louzada desiste de candidatura à deputada estadual
Foto: Matheus Brum / Folha JF

A decisão da secretária Cidinha Louzada de desistir da candidatura a deputada estadual vai muito além do discurso oficial. Nos bastidores da Prefeitura e da Câmara de Juiz de Fora, a leitura é clara: a permanência dela no governo era necessária — e estratégica. O Folha JF conversou com diversas pessoas, de dentro do governo, da base aliada e até da oposição, para entender como foi construído esse movimento de desistência da disputa eleitoral.

A supersecretária que centraliza o governo

Cidinha é, hoje, o principal nome da gestão da prefeita Margarida Salomão. No primeiro mandato, comandou a Secretaria de Governo e estruturou programas que viraram marca da administração:

  • Boniteza (zeladoria urbana)
  • Diga (atendimento direto à população)
  • Reestruturação da Defesa Civil

Nada passava pela gestão sem o aval dela. No segundo mandato, foi deslocada para a Sedupp — uma superpasta que concentra:

  • planejamento urbano
  • construção civil
  • participação popular
  • programas estruturantes herdados da gestão anterior, como Diga, Boniteza e Defesa Civil.

Na prática, tudo que acontece na cidade passa pela secretaria comandada por Cidinha.

Candidatura foi construída de forma planejada

A candidatura a deputada estadual não foi improvisada. A ida para a Sedupp, somada à estrutura do Boniteza e do Diga, deu a Cidinha:

  • capilaridade na cidade
  • presença constante nas comunidades
  • visibilidade institucional

Nos últimos meses, isso ficou evidente: aumento de aparições públicas, presença em entregas e protagonismo crescente — muitas vezes maior que o da própria prefeita nas comunicações oficiais da PJF.

Era um projeto eleitoral em construção.

Tragédia mudou o jogo

O cenário virou completamente após a tragédia das chuvas, no final de fevereiro, que deixaram 65 mortes e mais de 8.500 juiz-foranos e juiz-foranas desabrigados e desalojados.

Para disputar a eleição, Cidinha precisaria deixar o cargo em abril, por causa das leis eleitorais. E aí veio o impasse:

  • como pedir voto em meio à calamidade?
  • como sair do governo no momento mais crítico?
  • como sustentar o discurso de reconstrução sem poder executar obras?

A conta não fechava.

Pressão política também pesou

Nos bastidores, outro fator influenciou a decisão: a resistência dentro da própria base. Ao longo da construção da candidatura, Cidinha passou a entrar em zonas eleitorais de vereadores que não iriam apoiar a secretária, entre eles Tiago Bonecão (PSD) e Negro Bússola (PV).

A movimentação foi interpretada como invasão de base eleitoral, gerando reação pública e aumento do tom de oposição nas redes. Bonecão quer disputar uma vaga à ALMG e Bússola pensa na reeleição na Câmara Municipal, em 2028, para começar a desenhar seu grande projeto: se tornar prefeito de Juiz de Fora.

Dentro do PT, Cidinha esbarraria na candidatura à reeleição do deputado estadual Betão. Os votos ideológicos do partido, de esquerda, devem ficar com Betão. Para poder conseguir se eleger, Cidinha precisava ampilar a base eleitoral. Com isso, passou a chocar com alguns vereadores.

Derrota nas urnas seria risco para o governo

O ponto central, porém, é político. Uma eventual derrota de Cidinha em 2026 teria um efeito direto: fragilizaria a gestão Margarida.

Perder nas urnas com o principal nome do governo seria interpretado como desgaste político — algo que a administração ainda não enfrentou nesses anos.

Além disso, Margarida precisa hoje de alguém que:

  • faça articulação política
  • dialogue com comunidades
  • segure pressão da Câmara
  • permita que ela foque na reconstrução da cidade

E, nos bastidores, o consenso é um só: não há substituto à altura de Cidinha dentro da Prefeitura.

Discurso oficial: compromisso com a cidade

Publicamente, a justificativa foi outra. Segundo Cidinha, a decisão foi motivada pelo momento vivido pela cidade após as chuvas.

“Não tenho forças para pedir votos e fazer o que precisa ser feito em uma campanha eleitoral diante de tudo que aconteceu.”

Nas redes sociais, ela reforçou o tom.

“Nesse momento meu lugar é aqui. Por compromisso político, solidariedade e amor. Meu lugar de luta é aqui em Juiz de Fora.”

A partir de agora, Cidinha “on fire”

Sem a necessidade de agradar eleitores, a tendência agora é de uma atuação ainda mais forte. Nos bastidores, a leitura é que Cidinha entra em modo total de gestão:

  • mais presença nas ruas
  • decisões mais duras
  • controle mais firme da base na Câmara
  • protagonismo na reconstrução da cidade

Sinal positivo no governo, risco no médio prazo

A desistência foi bem recebida internamente. Na Prefeitura e na Câmara, o clima é de alívio. Cidinha é vista como experiente, com mais de 40 anos de trajetória política e capacidade de leitura de cenário.

Mas o desafio agora é outro. O desgaste até 2028 é inevitável — especialmente se as obras de reconstrução não avançarem no ritmo esperado.

A decisão evita um risco imediato, mas coloca Cidinha no centro do sucesso — ou do fracasso — da reconstrução de Juiz de Fora. E com ele, toda a estratégia de Margarida e seu grupo político na sucessão à PJF em 2028, já que a atual prefeita não pode tentar um terceiro mandato.

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