A jornalista Ana Paula Araújo lança nesta terça-feira (18), às 19h, no Teatro da UniAcademia, em Juiz de Fora, seu novo livro Agressão – A escalada da violência doméstica no Brasil. Além da sessão de autógrafos, a autora participa de uma palestra aberta ao público, marcando a primeira apresentação da obra na cidade onde viveu a infância. Publicado pela Globo Livros, o livro aprofunda a discussão sobre violência contra a mulher e mostra por que, mesmo com legislação considerada avançada, o país ainda enfrenta índices alarmantes.
Ana Paula Araújo aprofunda investigação sobre violência doméstica no país
O novo título amplia o debate iniciado por Ana Paula em Abuso – A cultura do estupro no Brasil. A jornalista percorreu diferentes regiões do país e reuniu relatos de vítimas, agressores e profissionais de saúde, segurança pública e justiça. O objetivo é entender por que a violência doméstica permanece tão presente na rotina de brasileiras de perfis diversos, apesar dos avanços legais conquistados nas últimas décadas.
Ao comentar o processo de produção, a autora afirmou que o tema se tornou uma de suas principais preocupações pessoais e profissionais, sobretudo por envolver inseguranças que afetam grande parte das mulheres brasileiras. Ela explicou que buscou investigar os mecanismos que permitem a continuidade dessa violência e os desafios enfrentados para romper esses ciclos.
Violência digital, ataques a mulheres trans e abusos no trabalho também aparecem na obra
Além da violência doméstica, o livro Agressão também explora situações que raramente entram no debate público, como ataques direcionados a mulheres trans, episódios envolvendo empregadas domésticas que podem ser protegidas pela Lei Maria da Penha e o crescimento das violências digitais, que têm impactado especialmente meninas e adolescentes.
Segundo Ana Paula, esses relatos revelam que as vítimas pertencem a diferentes faixas etárias, níveis de escolaridade e contextos familiares. A jornalista observou que os depoimentos mostram sentimentos de solidão, estigmatização e dificuldade para acessar apoio institucional, além de evidenciar que muitas mulheres acabam sendo responsabilizadas ou julgadas com mais rigor do que os próprios agressores.
Maria Angélica é estagiária sob supervisão do editor-executivo do Folha JF, Anderson Narciso.